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Cicloturismo com Crianças: Vouga e Dão

Introdução

Na segunda quinzena de Agosto 2020, fiz mais uma aventura em bicicleta com os meus filhos (8 e 12 anos), durante 10 dias. O plano foi explorar a Ecopista do Vouga e a Ecopista do Dão, com vários desvios pelo caminho, para desfrutar de praias fluviais e outros lugares interessantes e apelativos para as crianças.

Esta viagem surge no seguimento de outras aventuras no passado, que começaram com pequenas viagens de 2 ou 3 dias (exemplos aqui e aqui) e que serviram para ganhar experiência, testar equipamento, ver o que funciona, o que é preciso e o que está a mais. As minhas viagens a solo, desde 2014, também me permitiram perceber a dinâmica do tráfego rodoviário em determinadas regiões e as infraestruturas existentes para viajar de bicicleta com duas crianças.

Em Agosto de 2017 fiz uma viagem de 4 dias no centro-oeste, entre Marinha Grande e Óbidos (com amigos). Em Junho de 2018 fiz uma viagem de 6 dias pela Costa Vicentina, entre Vila do Bispo e Vila Nova de Milfontes (com amigos). Em 2019 fizemos a nossa maior viagem – 13 dias pelo Alto Minho, da qual resultou uma série de vídeos (ainda à espera de tempo para editar os últimos 4 dias…).

Em todas estas viagens utilizamos apenas as bicicletas e transportes públicos (comboio e autocarro) para nos deslocarmos. Nas primeiras viagens cheguei a levar um atrelado para o meu filho mais novo, que na altura apenas pedalava nas partes mais fáceis. As bicicletas foram acompanhando o seu crescimento e o equipamento de campismo foi estabilizando. Hoje em dia é fácil tomar a decisão de rapidamente partir em mais uma viagem. A tecnologia que temos hoje na palma das mãos, com um smartphone, também ajuda a improvisar e readaptar a viagem, diariamente, ao sabor do momento e das vontades. A nossa geografia portuguesa, com curtas distâncias entre pontos de abastecimento e de interesse, grande variedade de atrações (aldeias históricas, praias fluviais, etc.), também tornam Portugal um país com um enorme potencial para este tipo de aventuras. Numa altura em que é importante reduzirmos a nossa pegada ambiental e “desacelerarmos o ritmo”, ao mesmo tempo que as pessoas procuram proximidade com a natureza, sem a estragar, este tipo de viagens fazem cada vez mais sentido e recomendam-se. É fundamental haver um investimento sério, planeado e articulado com a ferrovia, a nível nacional e regional, em ecopistas, ecovias, assim como sinalização e acalmia de tráfego na extensa rede de estradas secundárias com pouco movimento rodoviário motorizado que existem em todo o país, que permitam tirar partido deste enorme potencial turístico sustentável. A Rede Nacional de Cicloturismo também é uma boa referência.

Uma breve descrição desta viagem

No dia 20 de Agosto de 2020 apanhámos um comboio InterCidades até Aveiro, e começámos a pedalar em direção a Sernada do Vouga, onde se inicia a Ecopista do Vouga. Também é possível apanhar um comboio regional para fazer este primeiro troço, mas preferimos pedalar. Porque eram apenas 25 kms e já tinha testado umas estradas secundárias com pouco tráfego e porque o material ferroviário que percorre este troço (e que tinha visto parado em Sernada do Vouga há uns meses) é uma antiga, “fumarenta” e ruidosa locomotiva a diesel, com as janelas cobertas de grafitti, onde até a paisagem deve ser difícil de disfrutar…  Por isso, chegados a Aveiro, mesmo a chover ligeiramente, fizėmo-nos à estrada. Tivemos de fazer três paragens para nos abrigar, quando a chuva se tornava mais intensa. Chegámos a Paradela às 20:00 e para grande sorte nossa deixaram-nos pernoitar dentro da antiga estação (deve ser o “karma” dos Warmshowers que acolhi 😉 ).

[Pode clicar nas fotografias e ver em slideshow]

No segundo dia, já com sol, fomos à Praia Fluvial Quinta do Barco, onde alugámos um kayak e demos uns mergulhos. Ao final do dia ainda regressámos à ecopista e pedalámos uns quilómetros, até encontrarmos um bom local para acampar, debaixo dum telheiro num parque de merendas.

No terceiro dia chegámos a S. Pedro do Sul e passámos a tarde no bonito e recente Parque Urbano das Nogueiras. Fomos também conhecer a Praia Fluvial de Pouves e acabámos a dormir na Pousada da Juventude.

No quarto dia afastámo-nos novamente da ecopista e subimos 10 kms por tranquilas estradas municipais até ao Poço Azul, perto de Santa Cruz da Trapa. Chegámos ainda cedo e os meninos adoraram o lugar. A certa altura, estava eu junto à água e uma pessoa pergunta-me se é o meu filho que está no “local dos saltos”, a 6 metros de altura da água. Respondo que sim, mas que não acreditava que ele tivesse coragem de se atirar… Estava a falar com um outro rapaz mais velho que já tinha saltado algumas vezes e lhe explicava como fazer. Dois minutos depois o Diego salta, para minha surpresa! O resto da tarde foi passado a saltar das rochas para a água e a explorar a natureza envolvente. Até eu tive de saltar, para não ficar mal na “fotografia”… No final do dia, voltámos às bicicletas e subimos mais um pouco até ao Bioparque de Carvalhais, em pleno Parque Florestal do Pisão, onde acamparíamos as próximas duas noites.

Vídeo do Poço Azul:

Começámos o quinto dia com uma atividade de Arborismo relativamente exigente. O Filipe conseguiu fazer o percurso, mas com a minha ajuda. Alguns adultos não conseguiram e estavam bastante receosos e atrapalhados! Passámos o resto do dia na piscina com um mega escorrega e uma bonita envolvente florestal de montanha. Fizemos ainda uma caminhada ao final do dia pelos Moinhos do Pisão.

No sexto dia regressámos a S. Pedro do Sul onde apanhámos novamente a Ecopista do Vouga, sempre a subir suavemente até Viseu. Esta é a parte menos cuidada e mais abandonada da ecopista, principalmente entre Bodiosa e Viseu, com o antigo canal ferroviário a desaparecer por diversas vezes e a termos de circular pela estrada nacional em algumas partes. Chegados a Viseu, fomos deixar as bicicletas e alforges na Pousada da Juventude e fomos dar uma volta pelo centro histórico, onde os meninos se divertiram a subir e saltar os penedos encostados à Sé Catedral de Viseu. Apesar dos 45 kms percorridos nesse dia, maioritariamente a subir, comprova-se que a energia das crianças é muito maior do que julgamos e depende apenas da motivação adequada. A noite ainda se prolongou ao encontrarmos uma autêntica “feira popular” instalada no meio da cidade, uma “versão light” da famosa “Feira de S. Mateus”. Os carrinhos de choque, as camas elásticas e outras diversões fizeram os meninos não querer terminar o dia tão cedo!

No sétimo dia continuámos a explorar Viseu, com os seus bonitos jardins. Os meninos experimentaram uma hora e meia de patinagem na famosa pista do Palácio de Gelo. Ainda visitámos o Solar dos Peixotos, edifício recuperado e onde está instalada a Junta de Freguesia de Viseu, a convite de um dos vereadores que conhecemos na noite anterior. A Mata de Fontelo também é um lugar a não perder, para estar perto da natureza. Claro que à noite regressámos ao parque de diversões, para gáudio dos meninos!

No oitavo dia pegámos novamente nas bicicletas e começámos a descer a Ecopista do Dão, a parte mais fácil da viagem, com o seu piso de ciclovia e maioritariamente a descer suavemente na direção que levávamos. Antes do almoço já estávamos a fazer o primeiro desvio para a Praia Fluvial de Nandufe, a pouco mais de 1 km da ecopista. Ali ficaram os meninos entretidos nas brincadeiras de saltar das árvores para o rio até ao final da tarde. Por volta das 19:00, pegámos nas bicicletas – ainda remendei um furo a um dos rapazes que morava numa aldeia perto e tinha ido de bicicleta – e fomos diretamente até Tondela, à procura dum lugar para jantar. Encontrámos o Gastrófilo, que tinha exatamente o que todos gostávamos: esparguete à bolonhesa para eles e uma boa salada para mim! Nesse dia pernoitámos perto da antiga estação de Tondela.

No nono dia da viagem, continuámos a descer a Ecopista do Dão, mas por poucos kms, pois havia mais uma praia fluvial para explorar. Ferreirós do Dão ficava apenas a 4 kms da ecopista, mas havia duas passagens de rios para transpor – Rio Dinha e Rio Asnes, ambos a desaguar no Dão – o que implicava algum sobe e desce. Mas valeu bem a pena. A praia fluvial é muito bonita, com uma ponte romana bem conservada e uma represa a proporcionarem um belo enquadramento paisagístico, muita área disponível, pouca gente, sombras, águas profundas para nadar à vontade e algumas rochas para os meninos se divertirem a saltar. Pelo lado negativo, o café de apoio estava fechado, bem como as casas de banho. Mas havia água potável e na vila, a 700 metros da praia o “Cantinho da Valéria” (padaria, pastelaria, pizzaria e mini-mercado) servia de abastecimento. Ali passámos o resto do dia e pernoitámos.

No décimo e último dia da viagem ainda ali continuámos até às 17h, altura em que nos fizémos novamente às duas subidas íngremes que nos separavam da Ecopista do Dão. Percorremos tranquilamente os últimos 15 kms da ecopista, que entretanto mudava da côr verde para azul, até à estação de Santa Comba Dão, onde iríamos apanhar um comboio InterCidades de regresso a Lisboa.

Infelizmente, a ecopista continua a terminar (ou começar) numa pequena subida bastante inclinada, de apenas uns 30 metros, mas com terra e pedras rolantes e no final um degrau com cerca 30 centímetros de altura de acesso à plataforma da estação, o que tornam a tarefa de empurrar uma bicicleta carregada com alforges um desafio complicado, para não falar dum atrelado. Não sei se é mais fácil subir ou descer. Não se compreende que passados tantos anos (a primeira vez que aqui passei foi em 2014) estes últimos poucos metros que fazem a ligação à estação de comboio continuem abandonados e esquecidos, sem qualquer intervenção, a contrastar com os restantes 48 kms da ecopista (descontando os inúmeros obstáculos de madeira ou metal em cada pequena intersecção). Imaginem a Auto-Estrada Lisboa-Porto acabar num caminho de terra, onde apenas passa um carro de cada vez, com uma subida de 30% de inclinação e cheia de pedras e ainda um degrau no fim com 30 cms de altura… São estas “sabotagens” e obstáculos que continuamos a ver em ecopistas, ecovias e infraestruturas que servem para turismo ou deslocações diárias em bicicleta. Claro que não as deixamos de fazer e são uma experiência altamente positiva para pessoas determinadas, flexíveis e com espírito de aventura, mas lembrem-se da analogia da “auto-estrada” que acabei de descrever 😉

Dia 10: Os últimos ou primeiros 30 metros da Ecopista do Dão são inexplicáveis…

Cicloescapadinha de Ano Novo: dar logo o tom certo a 2019

Nos dias anteriores sentia-me ansiosa, um sentimento de uneasiness, ligado à perspectiva do desconforto (íamos apanhar muito frio, concerteza) e da incerteza (receávamos ter problemas a embarcar no Intercidades em Vendas Novas com a longtail – não conseguimos ir buscar a LHT a tempo), e à eterna sensação de culpa (passear?, devíamos é voltar já ao trabalho!, work, work, work or you’ll go broke and die!).

But we pushed through. Fomos à mesma. E, como sempre, ainda bem que o fizémos. Depois da fricção emocional inicial, as coisas encaixam-se, e desfrutamos da viagem, mesmo do frio e das eventuais adversidades. Mas nem as houve, realmente (além do frio). A viagem correu lindamente, sem incidentes, sem dramas, sem percalços.

Tínhamos 3 dias. Recorremos novamente ao Roteiro da Rede Nacional de Cicloturismo do Paulo, e optámos por fazer as secções 2.11, 2.12 e 2.13, do Entroncamento a Alpiarça, a Coruche e depois a Vendas Novas, conseguindo assim recorrer ao comboio para as ligações a Lisboa. Recomendo a toda a gente este roteiro, torna mais simples simplesmente ir! Não requer tanto tempo de pesquisa e preparação de rotas. E a CP também tem ajudado muito, ao melhorar progressivamente as condições para transporte de bicicletas nos seus comboios. Infelizmente, a rede ferroviária é ainda bastante limitada e cobre uma parte pequena do território nacional.

Na Golegã encontrámos umas infraestruturas bem intencionadas, se bem que algo confusas e não ortodoxas em termos de Código da Estrada, mas apreciamos a intenção de providenciar a bidireccionalidade desta rua para ciclistas e cavaleiros! 🙂

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Esta secção foi muito fácil, completamente plana. E não sei se era por ser feriado e dia de Ano Novo, não apanhámos trânsito nenhum. Os 41 Km desta secção fizeram-se bem e rapidamente (de lembrar que saímos do Entroncamento já quase às 12h).

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Quase a chegarmos a Alpiarça, passámos na praia fluvial do Patacão (não há placas a sinalizá-la!), junto a uma antiga vila piscatória (1950 até aos anos 80), de casas de madeira em estacas, para resistirem às cheias de Inverno, entretanto abandonada e degradada. Bem, esta praia é um sítio lindo. Não se ouvia nada. O sol brilhava e estava “quase” calor. Abancámos para almoçar, e depois ficámos ali a apanhar sol um bocado e a desfrutar do silêncio e da beleza do local.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Entretanto seguimos rumo a Alpiarça, atravessámos a vila e fomos pernoitar ao parque de campismo, onde já tínhamos estado em Junho de 2016, noutra cicloescapadinha com amigos. Chegados lá com a luz da golden hour é mais fácil tudo parecer bonito, mas é efectivamente um sítio lindo. E permitem cães, o que para nós, com a Mutthilda, era fundamental.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Entrámos mas não encontrámos ninguém, o parque parecia estar vazio, e não havia ninguém na recepção. Demos uma volta pelo parque, e entretanto notámos uns bungallows na encosta, e estava lá um senhor.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Metemos conversa em inglês, ele não falava português. Disse-nos que os donos viviam lá e deveriam andar por ali. Mais tarde soubémos que era um francês que vivia ali permanentemente, embora de vez em quando desse uma volta por aí, na sua autocaravana.

Sentámo-nos nuns bancos tipo miradouro e apreciámos a paisagem e a luz do fim de dia, antes de tratarmos de montar campo.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

A chatice de acampar nesta altura com este frio é que fica de noite antes das 18h, e nestes dias ficou mesmo muito frio, então uma pessoa quer é meter-se dentro da tenda e fugir ao frio, mas para isso janta logo e vai dormir, mas é super cedo! 😛 Tipo, vamos dormir às 20h e acordar às 5h da manhã? 🙂

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Usámos emprestada uma mesa e um toldo de uma roulotte ao lado (o parque estava vazio) e foi ali que preparámos o jantar e comemos (em pé, não havia bancos e não estava tempo para usarmos a mantinha do costume e piquenicar no chão). Estávamos praticamente às escuras porque eles não acenderam os candeeiros do parque (para acender um ou dois tinham que acender todos), mas para isso é que levámos os frontais, claro.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Inicialmente até tínhamos pensado bivacar (ahahah) mas com melhor preparação para o frio. Felizmente mudámos de ideias e levámos a tenda e, pela primeira vez, levámos também duas botijas de água quente. 😀 Aventura e um pouco de desconforto, sim, claro, mas também não temos que ser estúpidos. 😛

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019
Fez mesmo muito frio durante a noite e de manhã. As botijas foram uma óptima ideia! A dada altura já de madrugada, ou manhã cedo, o Bruno trouxe a Mutthilda para o meio de nós (estava na caixinha, debaixo da asa da tenda, enrolada em capas e cobertores, mas mesmo assim não estava quente) – foi bom para ela e a nós também deu jeito, aqueceu-nos!

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Como disse, mesmo muito frio, tínhamos gelo na tenda e nas bicicletas!

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Esticámos o tempo na tenda de manhã, mas o nevoeiro não parecia ir levantar tão cedo. Levantámo-nos e tratámos de nos preparar para sair, depois de tomado o pequeno-almoço. As mãos doíam de tão frias. Procurámos algum refúgio no balneário, frio à mesma mas ao menos sem o nevoeiro a piorar tudo! Deu jeito ter o parque vazio e sermos os únicos hóspedes, tínhamos tudo só para nós.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Entretanto, fui andando primeiro rumo à saída para fazer o pagamento na Recepção. Cold as fuck!, já referi? E notei a bicicleta com um comportamento estranho, que inicialmente pensei poder ser do piso, fofinho, coberto de caruma, etc. Rapidamente me apercebi que afinal tinha um furo na roda da frente. Bolas. É tão raro ter furos, e com este frio não vai ser nada fixe reparar. Voltei para trás para o balneário, onde o Bruno ainda estava. É sempre bom ter o Bicycle Repair Man como sidekick. 🙂

Já bastante atrasados, seguimos finalmente, pelo nevoeiro adentro, com o dono do parque e o tal residente a olharem para nós como se nós fôssemos malucos. E somos um bocadinho, sim. 🙂

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Mas depois, eventualmente, o céu abriu e o sol brilhou e ficou mais quentinho!

Em Fazendas de Almeirim procurámos um cafézinho (o Bruno tem uma certa adicção com café). Lá encontrámos um. A senhora era simpática, mas havia dois tipos a fumar lá dentro ao balcão (wtf?!) e eu queria sair dali o mais rapidamente possível. Viémos para a esplanada. Entretanto, já quase de partida, notamos as pessoas à janela a sorrir, viram o cão na bicicleta e ficaram enternecidas. 😀 A senhora vem lá de dentro com um pedaço de bife e dá-o à Mutthilda! Há cães com sorte. 🙂

Pedalámos mais um bocado e abancámos junto à Igreja de S. José da Lamarosa para almoçar. A praça estava em obras. Uma miúda, a Mariana, viu-nos a brincar com a Mutthilda e aproximou-se. Ficou lá o tempo todo a brincar com ela e a conversar connosco. Diz que vai para a escola de bicicleta, mas que é a única. Dissémos-lhe para continuar. 😉 Havia uma casa de banho num contentor e deu jeito, também para levar as marmitas lavadas. Lá bebemos mais um cafézito num café ao lado, para alimentar a economia local, e seguimos!

O nosso troço favorito foi a seguir a esta localidade, estrada em terra batida mas confortável, e paisagem linda.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Ao longo da viagem ocorreu-nos que falta um produto no mercado, uma engenhoca qualquer para prender / manter – em segurança, sem risco de caírem para as rodas ou voarem – coisas a secar no guiador. 😉

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019 Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019
Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019 Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Uma ideia para um próximo CycleHack, eventualmente!

Entretanto, quase a chegarmos a Coruche, encontramos isto:

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Foi simpático. Não é que houvesse trânsito relevante naquela estrada, mas assim fomos mais descontraídos.

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A ciclovia tem 8 Km e desemboca mesmo em Coruche. O nosso objectivo inicial era ir pernoitar, em modo wild camping, no Açude do Monte da Barca. Contudo, chegámos a Coruche já pouco antes do pôr-do-sol. Não conhecíamos o caminho para o Açude e não sabíamos o que iríamos encontrar, não tínhamos certeza de ter fuel suficiente, e sabíamos que fazer os quase 10 Km até lá já de noite e com um frio do caraças, e mesmo chegando lá ter que novamente fazer o jantar, etc, tudo às escuras e com temperaturas próximos de zero,… Resolvemos ajustar o nosso plano e procurámos um quarto para alugar para aquela noite. Afinal, a primeira noite, num parque de campismo escuro e deserto, já tinha tido uma vibe de microaventura / wildcamping. 😛

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

E assim fomos parar a um quarto da D. Mária (sim, Mária), no fim de uma subida que parecia uma parede. As casas em Coruche parecem ficar todas em encostas assim, com ruas directas, em vez de sinuosas e mais planas.

Este foi o nosso pequeno luxo desta cicloescapadinha. No dia seguinte, novamente uma manhã de nevoeiro não nos permitiu apreciar a vista lá para baixo para o rio Sorraia. O frio mantinha-se, mas lá seguimos nós!

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Não estavam as melhores condições para apreciar a frente ribeirinha e a vista, mas é capaz de ser um sítio bonito num dia de sol. Seguimos para Sul, rumo ao Açude do Monte da Barca, passámos as 7 pontes metálicas sobre o Sorraia (algum trânsito numa zona de difícil ultrapassagem), mais um bocadinho numa estrada mais movimentada e cortamos para uma estrada tranquila.

Entretanto, faltava encontrar um café, claro. 😛 Parámos no primeiro que encontrámos, alimentar a economia local, e repôr as doses de cafeína!

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

O caminho para o Açude parecia ter levado com um furacão, eram só árvores cortadas. Trilhos remexidos por máquinas e uma ou outra zona de lama, mas lá chegámos ao Açude!

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Um sítio lindo! Ficámos com vontade de voltar ali um dia, e a Coruche no geral.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Depois de umas curtas voltas exploratórias, metemo-nos de novo a caminho. E apanhámos uma estrada boa em terra batida, na zona de protecção do Açude.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Nestes 3 dias o cão pôde tirar a barriga da miséria de correr. 🙂

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Almoçámos num sítio com meia dúzia de casas, antes de chegarmos a Cortiçadas do Lavre. Pusémos a manta na relva e sacámos do almoço. Depois, cafézinho num minimercado ao lado!

O último troço, rumo a Vendas Novas, foi sempre a abrir, com algumas subidas, e uns carros de vez em quando. Estávamos com pressa, a ver se tentávamos apanhar o comboio anterior àquele para o qual já tínhamos bilhetes (e que era o último do dia). A ideia era, se nos fosse recusado o embarque podíamos ter tempo para desmontar ligeiramente a bicicleta do Bruno paracaber no seguinte, ou então pedalar mais 40 Km até Pinhal Novo e apanhar um comboio diferente, compatível com a Big Dummy.

Chegámos moídos mas com tempo suficiente para lanchar no parque e tudo.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Pelo caminho até ao parque passámos por uma avenida com uma ciclovia pintada ora no passeio ora na berma da estrada.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019
Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019
Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Boas intenções, mas má ideia, O Lugar dos Ciclistas é “no Meio da Estrada”:

Depois da pausa no parque seguimos para a estação. Estava deserta. Não havia bilheteiras, nem máquinas automáticas nem indicação de em que plataforma paravam que comboios. *sigh*

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Fomos ao café ao lado e disseram-nos que para Lisboa seria na linha 1, do lado da entrada da estação (a linha 1 dá para duas plataformas). Fica a dica!

Esperámos. Apareceram mais pessoas. E o comboio lá chegou. O revisor não disse nada, apenas “para sermos mais rápidos”. Fomos tão rápidos quanto possível. E a bicicleta coube! Deixámos o comboio arrancar e, com calma, passámos a longtail do “hall” para o interior da carruagem, manobrando-a ao alto. Mission accomplished! 😀

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Agora é pensar na próxima microaventura!

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Mulheres de bike pelo mundo

As Warmifonias – Transformaciones a ritmo de pedal, que descobri neste vídeo via Bike é Legal, são um grupo de 4 mulheres de bike pelo mundo, Sofía, Genevieve, Daniela e outra Sofía, do Equador.

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Estão a fazer uma viagem pela América Latina, em bicicleta. O objectivo delas era identificar mulheres que tivessem projectos com impacto positivo na sua comunidade. Conhecê-las, fazer ilustrações acerca delas, falar sobre elas, escrever sobre elas no blog.

Para partilhar com o mundo, inspirar outras pessoas e motivá-las a replicar estes esforços.

Têm também uma página no Facebook e um podcast onde falam desta viagem de mulheres de bike pelo mundo, que começaram em Quito há 9 meses e na qual já passaram por 6 países.

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Recentemente passaram por São Paulo e foram entrevistadas pela Renata Falzoni, do Bike é Legal.

Warmifonias alude, na família de línguas indígenas da América do Sul, queshua, a “vozes de mulheres”. E é interessante ouvir também a perspectiva delas disto de viajarem só entre mulheres. Esta cena das pessoas, face a um grupo de homens e mulheres, olharem para os homens à espera que sejam estes a falar, é mesmo uma coisa curiosa. E chata.

Algumas destas mulheres estiveram também ligadas à Carishina en Bici. Este é um grupo de mulheres cicloactivistas, que tem um programa de apadrinhamento, ou melhor, “amadrinhamento” de mulheres que querem aprender a andar de bicicleta por mulheres que já o fazem. É um programa de mentorado, em regime de voluntariado, como o Bike Anjo no Brasil. Mas claro que senti logo uma ligação com a nossa Escola de Bicicleta da Cenas a Pedal, onde também ensinamos, mas num regime profissionalizado, tantas mulheres a andar de bicicleta. 🙂

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta (e não só)

Era para aproveitar os feriados todos e ser uma semana de férias a pedalar pelo Norte de Portugal, apanhando 2 ou 3 ecopistas e dando um salto ao Gerês. Mas os planos sofrem alterações, e acabámos por dispôr apenas de umas 48h distribuídas por 3 dias à volta de um feriado. Então resolvemos ir de Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta (e não só), e no caminho testar a rota 14.1 das Ecovias de Portugal, do Montijo ao Pinhal Novo, para a fazermos no âmbito dos passeios da Escola de Bicicleta da Cenas a Pedal.

Saímos de Lisboa a uma 4ª-feira quente depois do almoço, para apanharmos o barco das 15h30 no Cais do Sodré para o Montijo.  Não fomos os únicos, e partilhámos o espaço das bicicletas com dois outros viajantes que viajavam também todos carregados, em duas Long Haul Truck da Surly. Eram 4 Surlys no barco, não é todos os dias. 😛

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Pés em terra, e arrancámos. Rapidamente chegamos da estação fluvial à primeira povoação. O primeiro troço, no Montijo, não é especialmente interessante. Mas teve um ou outro ponto mais bonito.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Pequena praia fluvial algures no Montijo

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Tive que ir espreitar estas ruínas, claro está

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Dava um bom sítio para pernoitar em wild camping, para quem não tem medo de fantasmas 😛

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Praia fluvial de Gaio-Rosário, já na Moita

A partir daqui, da praia fluvial de Gaio-Rosário, gostei mais da viagem, não sei bem porquê. A paisagem e o contexto, talvez, mas se calhar a própria luz e temperatura de fim de tarde ajudaram a dar outro feeling à coisa.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Chegámos ao parque de campismo de Pinhal Novo já tarde, pelas 21h15.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

E quem é que lá estava, de campo montado e prontos para dormirem? Os nossos companheiros de barco.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Nós é que somos uns pastelões e demorámos eternidades (5 horas!) a fazer aqueles 35 Km. Nem sei como, a minha previsão eram 3h. Ai que agora a Mutthilda tem sede. Ai que deixa-me ver estas ruínas. Olha vamos parar aqui e comer qualquer coisa. Vou só fotografar umas cenas ali. Ai a Mutthilda tem que esticar as pernas. Temos que pôr protector solar. Ah, afinal era para ali. And so on. 😛 Antes da Mutthilda fazíamos 55 Km/dia, agora fazemos 30 ou 40 Km, está visto 😛

O parque era agradável, muito bem arborizado, tinha bom aspecto e as infraestruturas eram boas e logo ali ao lado da tenda. E à noite esteve perfeito, nem demasiado calor, nem frio.

No dia seguinte acordámos cedo e rumámos à estação de comboios de Pinhal Novo, onde apanhámos um comboio urbano (mas que usa as mesmas carruagens que os Regionais da linha do Norte) para Setúbal. Por falta de preparação, saímos na última estação, Praias do Sado A, um erro. Devíamos ter ficado na estação de Setúbal, assim tivémos que pedalar mais, e por sítios sem interesse. Como augurava o estado da estação

Mas lá nos pusémos a caminho. As subidas tinham duas recompensas: lindas paisagens, e descidas a seguir. 🙂

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

“É para ali que vamos!”

Só é pena a conspurcação que algumas pessoas fazem destes locais. É isto. E a falta de resposta das autoridades que gerem estes espaços em criar condições para que as pessoas possam usufruir dos mesmos mas sejam conduzidas a comportamentos mais cívicos.

A seguir parámos num vale onde parecia estar a decorrer um evento qualquer, tal era a quantidade de gente a preparar grandes almoçaradas. Era o Parque de Merendas da Comenda. Nós aproveitámos para descansar um pouco e comer qualquer coisa, sentados na nossa manta de piquenique.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Depois continuámos a pedalada. Queríamos ir para a praia, e já agora queríamos espreitar a praia dos Galapinhos, eleita a melhor praia da Europa em 2017, pelos internautas. Sabíamos que seria só espreitar, porque os acessos seriam incompatíveis com bicicletas (ainda mais carregadas, em modo touring).

Não fomos os únicos a ter esta ideia num feriado. Mas fomos dos poucos que o fizeram de bicicleta.

Os outros foram de carro, o que significa que passaram mais tempo a cozer dentro do carro do que na praia, e, por estacionarem ilegalmente, causaram a obstrução da única via de acesso àquelas praias, pondo pessoas, natureza e bens em risco em caso de emergência (é pensar em acidentes, emergências médicas, incêndios, etc).

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Para a esquerda a vista era esta.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Em frente o cenário era este. Carros parados por todo o lado a entupir a circulação. Nós de bicicleta a tentar passar pelo meio deles, juntamente com as pessoas pé (que vêm desses mesmos carros…).

Tudo permitido ano após ano pelas autoridades (município de Setúbal, Estradas de Portugal, GNR,…), pelo que descobrimos ao falar com um GNR, e depois na net. Em centenas de carros, multar e bloquear duas ou três dezenas é irrelevante, embora se agradeça o esforço, claro. Mas são precisas medidas de prevenção. Enfim. Não vão para lá de carro. Peguem nas bicicletas, conjuguem com os transportes públicos, façam carpooling, só não façam estas figuras.

Bom, passámos a praia da Figueirinha e continuámos pois parecia demasiado cheia de carros. Acabámos por descer até à praia do Creiro, que também não conhecíamos. A descida era íngreme e longa, e torcemos para que fosse uma praia fixe onde pudéssemos passar o dia (e a noite).

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Ao descer vimos um sinal que indicava 22% de inclinação. Já sabíamos o que nos esperava depois para sair!

Descemos, e antes de escolhermos um sítio para montar arraiais, percorremos a praia até à outra ponta, para fazer o reconhecimento da área assim por alto.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Vista do outro extremo da praia do Creiro

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

“Estive aqui!”

O problema do bike touring é que não dá para deixarmos a bicicleta amarrada algures e irmos à nossa vida, pois a bagagem está lá, e fácil de aceder e levar pelos amigos do alheio. Então, temos que a levar connosco para todo o lado. Como quem anda de carro gosta de fazer, embora aí seja simplesmente por preguiça.

Abancámos atrás da malta toda no areal, para não arrastar demasiado as bicicletas pela areia, e para termos espaço sem incomodar ninguém. E usámos a tarpa para tapar parcialmente as bicicletas e criar um toldo. Mas como não temos estacas (temos que comprar umas!), ficou baixinho, e dado o calor e a distância à água, íamos cozendo. 😛 Vá lá que foi menos mau pois usámos o meu Click-Stand como estaca, e foi funcionando mais ou menos, apesar do vento. Nada como cenas multifunções. 🙂

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Só falta comprar umas estacas para a tarpa-como-toldo-de-sol funcionar melhor.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Click-Stand à direita a fazer de estaca. Mutthilda cheia de calor mas ainda assim a encostar-se ao paizinho querido, não fosse ele fugir.

E montar este estaminé alien à frente de toda a gente, na esplanada e no areal? E depois pormo-nos lá debaixo desta cena com ar meio hobo, com cão e tudo? Espectacular para gente tímida. 😛 Mas crescer/envelhecer traz muitas coisas boas, inclusivé a capacidade para zero fucks given.

Depois foi ficando mais fresquinho. Ficámos no areal até os dois restaurantes fecharem e a malta toda ter-se ido embora, para podermos sair de fininho para o nosso spot para pernoitar, wild camping style.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Durante o dia tínhamos andado a ver ali potenciais zonas para pernoitar e dirigimo-nos para lá. Na outra ponta da praia (à esquerda de quem acede à praia pela tal descida), mesmo junto ao areal, estavam mais pessoas a acampar, várias tendas, e grandes. Pelo que não estávamos sozinhos.

Nós fomos para uma zona onde vimos uma família a piquenicar à hora de almoço (um indicador de que poderia ser uma zona segura o suficiente (leia-se, não usada como casa-de-banho nas outras horas).

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Ficámos mais “para fora” do que inicialmente planeado porque não conseguimos enfiar as espias no chão, que deve ter entulho (!) por baixo, pelas amostras de tijolo e afins que se viam no chão. Mas sem problema. Fizémos o jantar e o pouco fuel que tínhamos ainda deu, pelo que não foi desta que comemos as salsichas por cozinhar. E ainda deu para o cappucino no final – qualidade de vida! 🙂

Estávamos com medo de passar frio à noite, não tínhamos trazido roupa mais quente nem mantinha extra. No campismo em Pinhal Novo tivémos sorte e a temperatura estava perfeita. Mas aqui ao pé do mar e com vento… Mas a noite foi super quente, principalmente depois que o vento parou. Tive dificuldade em dormir. Acordava com calor. Só melhorou já quase de manhã.

Mas ninguém disse que as microaventuras são confortáveis. Se o fossem não eram aventuras. 

Os momentos de desconforto valem a pena, dão um sabor especial a cenas destas. Como acordarmos de manhãzinha e termos uma praia deserta à frente. 🙂

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta
De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Como compensação pela noite de alojamento gratuito, apanhámos algum lixo antigo, de gente mais distraída que não reparou nos caixotes do lixo ali ao lado.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Depois do pequeno-almoço da praxe (muesli com banana e leite de soja) tomado com vista sobre a praia, e disco atirado n vezes, era hora de partir.

Tínhamos uma subida do caraças para vencer só para sair dali. Só pensava nos 22% de inclinação e já tinha pensado que a melhor estratégia seria levar primeiro dois alforges a pé, descer, e levar a bicicleta mais leve a seguir. Mas não foi preciso. Com tanta expectativa de uma subida “horrível” para fazer com a tralha às costas, aquilo foi quase peanuts. 😛 E a partir dali, todas as subidas que encontrámos foram psicologicamente muito mais fáceis.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Chegados cá acima, pedalámos um pouquito e rapidamente chegámos à zona da praia dos Galapinhos. A vista era esta:

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

A estrada ainda estava transitável.

O Bruno ficou cá em cima com as bicicletas, e eu fui com a Mutthilda procurar o acesso à praia e descer para espreitá-la, para uma incursão futura. Aquela zona está toda “furada” de caminhos que se cruzam e vão dar a esta praia e à dos Coelhos, ali ao lado. Os acessos são assim:

Ciclo-escapadinha à Arrábida  Ciclo-escapadinha à ArrábidaCiclo-escapadinha à ArrábidaCiclo-escapadinha à Arrábida

A praia dos Galapinhos: uma parte concessionada, outra não. Aproveitei para dar aqui uns mergulhos para refrescar.

Ciclo-escapadinha à ArrábidaCiclo-escapadinha à Arrábida

Depois continuei, a ver se ia dar à praia dos Coelhos. Subi por outros caminhos sinuosos e fui dar lá acima, donde avistei a praia.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Ficará para outra vez. Regressei, pois tinha o Bruno já a apanhar seca à minha espera. Pusémo-nos a caminho, com planos de parar na praia da Figueirinha, para conhecer, e para passar a manhã e almoçar. Chegámos lá e escolhemos a ponta Este, de forma a podermos deixar as bicicletas ali ao pé mas sem as levar para a areia, e poder ter a Mutthilda fora da zona concessionada,e ainda assim termos rápido acesso à água. Foi perfeito. E a água estava perfeita. Like, perfeita.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Apesar dos nossos esforços de persuasão com bolas e o camandro, não foi desta que a Mutthilda se “atirou” ao mar e nadou. É uma mariquinhas. 😛

 

 

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Da série “sim, estivémos mesmo aqui”.


Depois de refrescados, D vitaminized, e almoçados, pusémo-nos a caminho da estação de comboios de Setúbal.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta
Estava uma brasa, e havia subidas. Ainda fizémos uma paragem para espreitar o parque de campismo do Outão, mas estava fechado, ainda em obras, e aproveitámos para fazer uma sesta ali ao pé, debaixo de uns pinheiros. Este parque era o nosso plano B ao wild camping. Estávamos bem lixados se nos tivéssemos posto a caminho dele na noite anterior…

Depois da power nap, continuámos até Setúbal, e só demos com a estação (sem recorrer ao Google Maps, com as indicações de um transeunte, porque não encontrámos uma única placa com direcções, era como se a estação não existisse. Inacreditável. Mas lá fomos dar, e correu tudo bem. Até apanhámos um revisor da CP muito simpático e conversador, e sensibilizado para a questão das bicicletas conjugadas com o comboio para turismo e transporte.

Desta vez seguimos de comboio directamente para o Barreiro, onde apanhámos depois o barco. Este tem só um espaço amplo, não tem “racks”.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta
Olá Lisboa, estamos de volta! Pareceu uma semana fora, mas foram só umas 48 horas. 🙂 Assim é o Paradoxo das Férias.

Ciclo-escapadinha à Arrábida

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta (e não só) é, sem dúvida, para repetir e expandir. Mais fotos aqui.

Bike tour familiar nos santos

Em Lisboa a semana do 10 e 13 de Junho costuma ser um bocado parada, óptima para umas mini-férias. Este ano desafiámos uns amigos para uma escapadinha de 3 dias, com bicicleta e campismo. Inicialmente estava pensada para ser mais épica, mais famílias, mais quilómetros, acabou por ser uma coisa mais modesta, mas fixe à mesma. 🙂

Encontrámo-nos todos em Santa Apolónia e partimos num comboio à hora de almoço do dia 10, 6ª-feira, num comboio Regional rumo a Santarém.

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

A CP tem percorrido um longo caminho rumo a servir os clientes que pretendem conjugar a bicicleta com o comboio para evitar o automóvel, está muiiito melhor, mas ainda há espaço para melhorar. Por exemplo, podiam tornar esta área das carruagens mais amigável para quem se desloca com “cenas” (cadeiras de rodas, carrinhos de bebé, pranchas de surf, bicicletas, malões, etc), principalmente em grupo, reorganizando o espaço e os assentos, de forma a permitir moldar melhor o espaço a diferentes necessidades. Convertendo mais assentos normais em rebatíveis, por exemplo, seria um primeiro passo muito simples.

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Chegados a Santarém, fomos ver as vistas (o que implicou subir e bem) e piquenicar no Jardim das Portas do Sol, aproveitando para gravar uma saudação para o 1º CycleHack Lisboa que estávamos na altura a organizar.

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Depois pedalámos durante 1 hora até ao parque de campismo de Alpiarça, a 13 Km de distância.

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

O parque (e a zona) foi escolhido porque é dos poucos que admite animais, e a Mutthilda não podia ser deixada em casa e perder a festa, claro.

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

O acampamento:

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

O parque era simples, mas simpático de atmosfera e de staff. Tinha pouca gente, e a Mutthilda e os miúdos andavam por ali à vontade. No segundo dia ficámos por lá, deitados nas mantas e também a curtir a piscina, que soube muito bem dado o calor que estava.

Ao terceiro dia, e depois de mais um mergulho na piscina para arrefecer, e um almoço meio improvisado no restaurante do parque (já referi que foram bastante simpáticos?), fizémo-nos à estrada para regressar a Santarém e panhar o Regional de volta a Lisboa.

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Optámos por sair no Oriente, e depois de andarmos a acartar bicicletas e atrelados por elevadores, escadas rolantes e escadas das outras, duas das famílias ainda se puseram a pedalar mais uns quilómetros e subir até ao [agora antigo] atelier da Cenas a Pedal para,… hmm, cenas.

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Depois nós seguimos para casa, e o Bruno & família ainda continuaram, de carro, para Torres Vedras. A multimodalidade ilustrada. 🙂

Nesta viagem éramos 5 adultos, 4 crianças e 1 cão, em 5 bicicletas normais, 1 longtail, 1 tandem e 1 atrelado. Digamos que não passámos despercebidos em lado nenhum:

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Não é preciso muito para criar um fim-de-semana memorável. 🙂 Nomeadamente para quem faz questão de incluir os companheiros de 4 patas nas suas excursões, este é um programa compatível.

Mini-tour da Páscoa

A nossa mui aguardada primeira viagem de 2015, yeaaah!

Mini-tour da páscoa

Éramos 4 adultos, 3 crianças dos 6 aos 9 anos, e 1 cão. Pedalámos até ao Meco no primeiro dia, acampámos, fomos a pé até à praia no segundo dia, e pedalámos de regresso a Lisboa ao terceiro dia.

O H. e o R. estavam em pulgas! A sua primeira viagem de bicicleta com campismo, e ainda por cima a Mutthilda também ia! 😀

O tempo estava fan-tás-ti-co. Tudo correu maravilhosamente bem. Foi mesmo muito fixe, e só queremos é fazer mais disto. 🙂

A “aventura de bicicleta 2014” do Joe

Surly LHT do JoeO Joe passou umas noites connosco via Warm Showers durante a sua viagem de 4 meses em bicicleta pela Europa. E agora publicou um vídeo dela. É impossível não querer fazer o mesmo. 🙂

No Verão de 2014 decidi que era tempo de um pouco de aventura e por isso deixei o meu emprego em Londres, a par dos meus amigos e família para ir explorar de bicicleta. Já tinha feito antes algumas curtas viagens de bicicleta com amigos mas esta era para ser uma viagem solitária e uma muito maior distância. Pedalei, explorei, voluntariei-me, nadei, comi comida maravilhoasa, conheci pessoas tão interessantes, e acampei em alguns sítios muito bonitos. A Viagem não foi sempre fácil (como pode parecer no vídeo – não filmei com mau tempo!) mas foi um desafio que eu procurava, e como valeu a pena. às pessoas que conheci ao longo do caminho e também com quem viajei – muito obrigado por serem tão acolhedoras e inspiradoras – tornaram a viagem tão mais rica.

Dia XIII: o regresso a Lisboa

Este post faz parte de uma série: Lisboa-Messines-2013! As fotos estão aqui.
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Finalmente, no dia 31 de Agosto, sábado, regressámos a Lisboa. Pedalámos até à estação da vila, S. Bartolomeu de Messines, para tentar a nossa sorte com o comboio (nessa altura já não havia Regionais Algarve – Lisboa, e o Intercidades requer que as bicicletas sejam desmontadas e embaladas). Desmontar e depois remontar as bicicletas seria uma trabalheira desnecessária (enão tornaria os volumes assim tão mais compactos ou arrumáveis no comboio), por isso tentámos safar-nos com uma técnica intermédia:

  1. retirámos todos os sacos e bagagem da bicicleta
  2. rodámos o guiador
  3. bloqueámos os travões com abraçadeiras plásticas
  4. removemos os pedais
  5. prendemos a roda dianteira ao quadro com umas Rok Straps, para não se mover
  6. embrulhámos as bicicletas em sacos pretos opacos

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Infelizmente, quando chegámos à estação não estava lá mais ninguém e não conseguimos perceber onde pararia o comboio para Lisboa. Tratámos desta logística numa plataforma, mas entretanto chegou mais gente e foram para a outra – perguntámos-lhes e afinal era do outro lado, pelo que toca a fazer piscinas a acartar as bicicletas embaladas e os vários sacos.

Entretanto chegou o comboio. Tentamos perceber onde pararão as carruagens e se haverá alguma carruagem própria para bagagem mais volumosa. O revisor está à porta e olha para nós de alto a baixo – receamos o pior. Mira-nos e volta a mirar-nos e diz-nos que devíamos ter desmontado as bicicletas… Mas no final deixa-nos entrar. Ufa. Ele sugeriu-nos a zona da bagagem mas “fugimos” e ficámos no corredor porque achámos que seria mais prático para todos. Arrumámo-las ao alto e no início estávamos a pensar ficar lá com elas, mas depois vimos que não era necessário, as pessoas passavam bem, as bicicletas não caíam.

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As pessoas tinham que se desviar, para passar entre carruagens, mas dava perfeitamente.

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A catrefada de sacos e bagagem ficou ao monte atrás dos primeiros bancos de passageiros.

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Bonito embrulho, hein? 😛

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Entretanto, chegamos a Lisboa e optamos por ficar em Sete Rios.

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Junta-se novamente a tralha toda na plataforma.

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E desembrulhar é mais fácil e rápido que embrulhar e num instante estamos prontos para continuar viagem, agora até casa.

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Descemos as escadas rolantes em marcha-atrás.

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Ah, Lisboa, so welcoming. 😛

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E mais uns quilómetros a pedalar depois, chegámos bem a casa. A sensação de regresso a casa é também uma doce parte de viajar. 🙂

Dia VII: Sagres – Messines

Este post faz parte de uma série: Lisboa-Messines-2013! As fotos estão aqui. —————————————————————————————-

É uma vergonha, deixei o relato a meio e só lhe consigo voltar a pegar 6 meses depois. 😛 Mas aqui vai!

DIA VII, 25 de Agosto, domingo
Sagres –> Messines
Cerca de 60 Km de pedaladas

Acordamos no parque de campismo de Sagres, espreitamos pela janela da tenda e vemos com alívio que as bicicletas, sacos e afins ainda estão no mesmo sítio. 🙂 Não deixamos a sorte ao acaso, mas isto às vezes basta ter azar.

Tomamos o pequeno almoço.

Depois arrumamos a trouxa e decidimos almoçar por ali, no restaurante do parque.

Depois de “atestados os depósitos” e partido tirado do wi-fi, fizémo-nos à estrada.

O nosso caminho do dia foi mais ou menos este:

Parte 1: Sagres-Lagos –» comboio para Tunes

Para começar, claro, não podíamos deixar de nos perder ligeiramente a tentar sair do parque e chegar à estrada principal por atalhos. 😛

Mas nada de grave, lá encontrámos o caminho, e optámos por seguir pela Ecovia do Algarve, paralela à N268 que tínhamos feito, em sentido contrário, no dia anterior.

Ao mesmo tempo que avisam que a estrada está em mau estado, apenas “recomendam” uma velocidade máxima de 60 Km/h (em vez dos 90 Km/h de limite que se aplicam ali)…

E a marcação da ecovia também não se livra do complexo de inferioridade ciclista, ali chegada à direita…

Cruzámo-nos apenas com 2 outros ciclistas:

“Proibir não vale a pena, vamos só recomendar”:

A dada altura deixámos a ecovia e entrámos na EN125.

E seguimos pela berma até Lagos.

De vez em quando, nas descidas e quando não vinham carros, acelerávamos pela faixa de rodagem. Mas a berma era aceitável no geral.

Estava bastante calor e de vez em quando parávamos para beber água e também para molharmos as costas um do outro, para arrefecer – sabe mesmo bem. 🙂

Entretanto chegamos a Lagos e vejo isto, uma pessoa numa cadeira de rodas a circular pela estrada, porque não há passeios nem bermas… *sigh*

A estação de comboios de Lagos era nova. Chegámos, encostámos a bicicleta a uma parede (que parecia servir mesmo para isso :-P) e fomos comprar os bilhetes para Tunes.

Enquanto lá estávamos, vi um rapaz entrar com a bicicleta [de BTT]  para a casa-de-banho. Presumo que não tivesse trazido cadeado. 😛

Lá chegou o comboio (Lagos é uma estação terminal) e tratámos de içar as bicicletas para a carruagem respectiva. “Içar” é a palavra mais adequada, dado que a entrada não tem sequer escadas de acesso, como as entradas normais…

Nos comboios regionais da CP é permitido, e gratuito, transportar bicicletas, e estes até têm mesmo um compartimento para carga, com ganchos para bicicletas.

Infelizmente estes ganchos são práticos para bicicletas como as da foto, beater bikes. Nada fixa as bicicletas impedindo-as de oscilarem e baterem uma na outra. E colocar as bicicletas nos ganchos não é prático, ou mesmo viável, para bicicletas mais pesadas e/ou carregadas, como as nossas. Por isso, e mesmo que os ganchos não estivessem ocupados, arrumámos as nossas a um canto, imobilizando-as com abraçadeiras plásticas no travão da frente e com umas Rok Straps.

Partimos então logo com 4 biclas a bordo:

Numa outra estação entrou uma rapariga com uma bicicleta mais citadina, e pendurou-a num outro gancho (que não era bem para biclas, pareceu-nos).

Acabámos por passar a viagem naquele compartimento, que parecia uma prisão. 😛

Como tínhamos a tralha toda nas bicicletas e este compartimento não era visível do compartimento dos passageiros, preferimos ficar ali e pronto. E fomos espreitando pela janela a apreciar a paisagem.

A dada altura as estações passaram a ser do outro lado e tivémos que mudar um pouco as bicicletas para não obstruirmos a porta:

Não estávamos à espera desta, mas na estação de Tunes tivémos que tirar as bicicletas – carregadas – de uma altura muito maior. Já estávamos com medo de nos atrapalharmos a fazê-lo com a altura de Lagos, e de repente, toma lá um desnível de quase 1 m!

Chegamos a Tunes!

Felizmente os elevadores funcionavam. 🙂

Parte 2: Tunes-S.B. Messines

Nesta altura, antes de sairmos de Tunes, eu aviso a minha tia que mais 1 hora devo estar lá. lol Primeiro ainda estivémos ali algum tempo a fazer uns vídeos e tirar uma fotos. Depois, bom, depois metemo-nos por atalhos, andámos meio perdidos no meio da serra, e chegámos lá umas 2 horas mais tarde do que o previsto. 😛

Pensávamos que estava quase, mas enganámo-nos. Claro que não podia haver uma viagem em que não nos perdêssemos de alguma forma. 😛 Armámo-nos em espertos e decidimos usar o Google Maps, seguindo uma rota pedonal, para atalhar caminho:

O resultado foi andar a fazer BTT nocturno, às apalpadelas no meio da serra, por laranjais e afins, com medo que aparecesse algum agricultor de espingarda em punho e cães em pulgas, quase sem bateria nos telemóveis, “longe” da civilização, a um domingo quase à meia-noite, sem comida, sem sequer sabermos dizer onde estávamos para alguém nos vir buscar, se fosse o caso. 😛 Nem tudo era mau, claro, tínhamos as tendas, podíamos pernoitar ali no meio se víssemos que era mais sensato. E tínhamos boas luzes nas bicicletas para iluminar o caminho. Mas o caminho era terra batida com pedras e calhaus. Muito chocalhámos nós por aqueles caminhos. Felizmente sem cairmos uma única vez, lol. Por um lado até foi divertido.

Depois, saídos dali, íamos lançados para apanhar o IC1 num pequeno troço, que nos levaria mais directamente ao destino, mas vimos à entrada que era interdito a bicicleta, e lá fomos nós metermo-nos outra vez por atalhos, mas desta vez asfaltados! 😛

Conseguimos não passar por cima de uma cobra na estrada (aargh) numa descida. E depois de mais uns quilómetros a pedalar, finalmente, chegámos a casa, sãos e salvos, cobertos de terra vermelha. 🙂

Garagem interior, claro. 😛

Et voilá! Cerca de 300 Km em bicicleta, de Lisboa a Messines, em 6 dias – conseguimos, sobrevivemos e até gostámos! 🙂 A repetir!

CONCLUSÕES para a posteridade:

  • Cuidado com os atalhos… O Google não indica a qualidade dos acesso pedonais.
  • Investir num GPS a sério, dedicado, em vez de usar o telemóvel – se a bataria acaba, não temos GPS nem telemóvel!
  • Levar baterias extra para os telemóveis.
  • Levar comida extra caso nos percamos!
  • Tentar não andar tão tarde ainda na estrada, é mais chato quando nos perdemos, está escuro, as pessoas estão em casa a dormir, etc