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De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta (e não só)

Era para aproveitar os feriados todos e ser uma semana de férias a pedalar pelo Norte de Portugal, apanhando 2 ou 3 ecopistas e dando um salto ao Gerês. Mas os planos sofrem alterações, e acabámos por dispôr apenas de umas 48h distribuídas por 3 dias à volta de um feriado. Então resolvemos ir de Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta (e não só), e no caminho testar a rota 14.1 das Ecovias de Portugal, do Montijo ao Pinhal Novo, para a fazermos no âmbito dos passeios da Escola de Bicicleta da Cenas a Pedal.

Saímos de Lisboa a uma 4ª-feira quente depois do almoço, para apanharmos o barco das 15h30 no Cais do Sodré para o Montijo.  Não fomos os únicos, e partilhámos o espaço das bicicletas com dois outros viajantes que viajavam também todos carregados, em duas Long Haul Truck da Surly. Eram 4 Surlys no barco, não é todos os dias. 😛

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Pés em terra, e arrancámos. Rapidamente chegamos da estação fluvial à primeira povoação. O primeiro troço, no Montijo, não é especialmente interessante. Mas teve um ou outro ponto mais bonito.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Pequena praia fluvial algures no Montijo

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Tive que ir espreitar estas ruínas, claro está

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Dava um bom sítio para pernoitar em wild camping, para quem não tem medo de fantasmas 😛

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Praia fluvial de Gaio-Rosário, já na Moita

A partir daqui, da praia fluvial de Gaio-Rosário, gostei mais da viagem, não sei bem porquê. A paisagem e o contexto, talvez, mas se calhar a própria luz e temperatura de fim de tarde ajudaram a dar outro feeling à coisa.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Chegámos ao parque de campismo de Pinhal Novo já tarde, pelas 21h15.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

E quem é que lá estava, de campo montado e prontos para dormirem? Os nossos companheiros de barco.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Nós é que somos uns pastelões e demorámos eternidades (5 horas!) a fazer aqueles 35 Km. Nem sei como, a minha previsão eram 3h. Ai que agora a Mutthilda tem sede. Ai que deixa-me ver estas ruínas. Olha vamos parar aqui e comer qualquer coisa. Vou só fotografar umas cenas ali. Ai a Mutthilda tem que esticar as pernas. Temos que pôr protector solar. Ah, afinal era para ali. And so on. 😛 Antes da Mutthilda fazíamos 55 Km/dia, agora fazemos 30 ou 40 Km, está visto 😛

O parque era agradável, muito bem arborizado, tinha bom aspecto e as infraestruturas eram boas e logo ali ao lado da tenda. E à noite esteve perfeito, nem demasiado calor, nem frio.

No dia seguinte acordámos cedo e rumámos à estação de comboios de Pinhal Novo, onde apanhámos um comboio urbano (mas que usa as mesmas carruagens que os Regionais da linha do Norte) para Setúbal. Por falta de preparação, saímos na última estação, Praias do Sado A, um erro. Devíamos ter ficado na estação de Setúbal, assim tivémos que pedalar mais, e por sítios sem interesse. Como augurava o estado da estação

Mas lá nos pusémos a caminho. As subidas tinham duas recompensas: lindas paisagens, e descidas a seguir. 🙂

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

“É para ali que vamos!”

Só é pena a conspurcação que algumas pessoas fazem destes locais. É isto. E a falta de resposta das autoridades que gerem estes espaços em criar condições para que as pessoas possam usufruir dos mesmos mas sejam conduzidas a comportamentos mais cívicos.

A seguir parámos num vale onde parecia estar a decorrer um evento qualquer, tal era a quantidade de gente a preparar grandes almoçaradas. Era o Parque de Merendas da Comenda. Nós aproveitámos para descansar um pouco e comer qualquer coisa, sentados na nossa manta de piquenique.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Depois continuámos a pedalada. Queríamos ir para a praia, e já agora queríamos espreitar a praia dos Galapinhos, eleita a melhor praia da Europa em 2017, pelos internautas. Sabíamos que seria só espreitar, porque os acessos seriam incompatíveis com bicicletas (ainda mais carregadas, em modo touring).

Não fomos os únicos a ter esta ideia num feriado. Mas fomos dos poucos que o fizeram de bicicleta.

Os outros foram de carro, o que significa que passaram mais tempo a cozer dentro do carro do que na praia, e, por estacionarem ilegalmente, causaram a obstrução da única via de acesso àquelas praias, pondo pessoas, natureza e bens em risco em caso de emergência (é pensar em acidentes, emergências médicas, incêndios, etc).

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Para a esquerda a vista era esta.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Em frente o cenário era este. Carros parados por todo o lado a entupir a circulação. Nós de bicicleta a tentar passar pelo meio deles, juntamente com as pessoas pé (que vêm desses mesmos carros…).

Tudo permitido ano após ano pelas autoridades (município de Setúbal, Estradas de Portugal, GNR,…), pelo que descobrimos ao falar com um GNR, e depois na net. Em centenas de carros, multar e bloquear duas ou três dezenas é irrelevante, embora se agradeça o esforço, claro. Mas são precisas medidas de prevenção. Enfim. Não vão para lá de carro. Peguem nas bicicletas, conjuguem com os transportes públicos, façam carpooling, só não façam estas figuras.

Bom, passámos a praia da Figueirinha e continuámos pois parecia demasiado cheia de carros. Acabámos por descer até à praia do Creiro, que também não conhecíamos. A descida era íngreme e longa, e torcemos para que fosse uma praia fixe onde pudéssemos passar o dia (e a noite).

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Ao descer vimos um sinal que indicava 22% de inclinação. Já sabíamos o que nos esperava depois para sair!

Descemos, e antes de escolhermos um sítio para montar arraiais, percorremos a praia até à outra ponta, para fazer o reconhecimento da área assim por alto.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Vista do outro extremo da praia do Creiro

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

“Estive aqui!”

O problema do bike touring é que não dá para deixarmos a bicicleta amarrada algures e irmos à nossa vida, pois a bagagem está lá, e fácil de aceder e levar pelos amigos do alheio. Então, temos que a levar connosco para todo o lado. Como quem anda de carro gosta de fazer, embora aí seja simplesmente por preguiça.

Abancámos atrás da malta toda no areal, para não arrastar demasiado as bicicletas pela areia, e para termos espaço sem incomodar ninguém. E usámos a tarpa para tapar parcialmente as bicicletas e criar um toldo. Mas como não temos estacas (temos que comprar umas!), ficou baixinho, e dado o calor e a distância à água, íamos cozendo. 😛 Vá lá que foi menos mau pois usámos o meu Click-Stand como estaca, e foi funcionando mais ou menos, apesar do vento. Nada como cenas multifunções. 🙂

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Só falta comprar umas estacas para a tarpa-como-toldo-de-sol funcionar melhor.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Click-Stand à direita a fazer de estaca. Mutthilda cheia de calor mas ainda assim a encostar-se ao paizinho querido, não fosse ele fugir.

E montar este estaminé alien à frente de toda a gente, na esplanada e no areal? E depois pormo-nos lá debaixo desta cena com ar meio hobo, com cão e tudo? Espectacular para gente tímida. 😛 Mas crescer/envelhecer traz muitas coisas boas, inclusivé a capacidade para zero fucks given.

Depois foi ficando mais fresquinho. Ficámos no areal até os dois restaurantes fecharem e a malta toda ter-se ido embora, para podermos sair de fininho para o nosso spot para pernoitar, wild camping style.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Durante o dia tínhamos andado a ver ali potenciais zonas para pernoitar e dirigimo-nos para lá. Na outra ponta da praia (à esquerda de quem acede à praia pela tal descida), mesmo junto ao areal, estavam mais pessoas a acampar, várias tendas, e grandes. Pelo que não estávamos sozinhos.

Nós fomos para uma zona onde vimos uma família a piquenicar à hora de almoço (um indicador de que poderia ser uma zona segura o suficiente (leia-se, não usada como casa-de-banho nas outras horas).

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Ficámos mais “para fora” do que inicialmente planeado porque não conseguimos enfiar as espias no chão, que deve ter entulho (!) por baixo, pelas amostras de tijolo e afins que se viam no chão. Mas sem problema. Fizémos o jantar e o pouco fuel que tínhamos ainda deu, pelo que não foi desta que comemos as salsichas por cozinhar. E ainda deu para o cappucino no final – qualidade de vida! 🙂

Estávamos com medo de passar frio à noite, não tínhamos trazido roupa mais quente nem mantinha extra. No campismo em Pinhal Novo tivémos sorte e a temperatura estava perfeita. Mas aqui ao pé do mar e com vento… Mas a noite foi super quente, principalmente depois que o vento parou. Tive dificuldade em dormir. Acordava com calor. Só melhorou já quase de manhã.

Mas ninguém disse que as microaventuras são confortáveis. Se o fossem não eram aventuras. 

Os momentos de desconforto valem a pena, dão um sabor especial a cenas destas. Como acordarmos de manhãzinha e termos uma praia deserta à frente. 🙂

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta
De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Como compensação pela noite de alojamento gratuito, apanhámos algum lixo antigo, de gente mais distraída que não reparou nos caixotes do lixo ali ao lado.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Depois do pequeno-almoço da praxe (muesli com banana e leite de soja) tomado com vista sobre a praia, e disco atirado n vezes, era hora de partir.

Tínhamos uma subida do caraças para vencer só para sair dali. Só pensava nos 22% de inclinação e já tinha pensado que a melhor estratégia seria levar primeiro dois alforges a pé, descer, e levar a bicicleta mais leve a seguir. Mas não foi preciso. Com tanta expectativa de uma subida “horrível” para fazer com a tralha às costas, aquilo foi quase peanuts. 😛 E a partir dali, todas as subidas que encontrámos foram psicologicamente muito mais fáceis.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Chegados cá acima, pedalámos um pouquito e rapidamente chegámos à zona da praia dos Galapinhos. A vista era esta:

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

A estrada ainda estava transitável.

O Bruno ficou cá em cima com as bicicletas, e eu fui com a Mutthilda procurar o acesso à praia e descer para espreitá-la, para uma incursão futura. Aquela zona está toda “furada” de caminhos que se cruzam e vão dar a esta praia e à dos Coelhos, ali ao lado. Os acessos são assim:

Ciclo-escapadinha à Arrábida  Ciclo-escapadinha à ArrábidaCiclo-escapadinha à ArrábidaCiclo-escapadinha à Arrábida

A praia dos Galapinhos: uma parte concessionada, outra não. Aproveitei para dar aqui uns mergulhos para refrescar.

Ciclo-escapadinha à ArrábidaCiclo-escapadinha à Arrábida

Depois continuei, a ver se ia dar à praia dos Coelhos. Subi por outros caminhos sinuosos e fui dar lá acima, donde avistei a praia.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Ficará para outra vez. Regressei, pois tinha o Bruno já a apanhar seca à minha espera. Pusémo-nos a caminho, com planos de parar na praia da Figueirinha, para conhecer, e para passar a manhã e almoçar. Chegámos lá e escolhemos a ponta Este, de forma a podermos deixar as bicicletas ali ao pé mas sem as levar para a areia, e poder ter a Mutthilda fora da zona concessionada,e ainda assim termos rápido acesso à água. Foi perfeito. E a água estava perfeita. Like, perfeita.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Apesar dos nossos esforços de persuasão com bolas e o camandro, não foi desta que a Mutthilda se “atirou” ao mar e nadou. É uma mariquinhas. 😛

 

 

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta

Da série “sim, estivémos mesmo aqui”.


Depois de refrescados, D vitaminized, e almoçados, pusémo-nos a caminho da estação de comboios de Setúbal.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta
Estava uma brasa, e havia subidas. Ainda fizémos uma paragem para espreitar o parque de campismo do Outão, mas estava fechado, ainda em obras, e aproveitámos para fazer uma sesta ali ao pé, debaixo de uns pinheiros. Este parque era o nosso plano B ao wild camping. Estávamos bem lixados se nos tivéssemos posto a caminho dele na noite anterior…

Depois da power nap, continuámos até Setúbal, e só demos com a estação (sem recorrer ao Google Maps, com as indicações de um transeunte, porque não encontrámos uma única placa com direcções, era como se a estação não existisse. Inacreditável. Mas lá fomos dar, e correu tudo bem. Até apanhámos um revisor da CP muito simpático e conversador, e sensibilizado para a questão das bicicletas conjugadas com o comboio para turismo e transporte.

Desta vez seguimos de comboio directamente para o Barreiro, onde apanhámos depois o barco. Este tem só um espaço amplo, não tem “racks”.

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta
Olá Lisboa, estamos de volta! Pareceu uma semana fora, mas foram só umas 48 horas. 🙂 Assim é o Paradoxo das Férias.

Ciclo-escapadinha à Arrábida

De Lisboa às praias da Arrábida de bicicleta (e não só) é, sem dúvida, para repetir e expandir. Mais fotos aqui.

Bike tour familiar nos santos

Em Lisboa a semana do 10 e 13 de Junho costuma ser um bocado parada, óptima para umas mini-férias. Este ano desafiámos uns amigos para uma escapadinha de 3 dias, com bicicleta e campismo. Inicialmente estava pensada para ser mais épica, mais famílias, mais quilómetros, acabou por ser uma coisa mais modesta, mas fixe à mesma. 🙂

Encontrámo-nos todos em Santa Apolónia e partimos num comboio à hora de almoço do dia 10, 6ª-feira, num comboio Regional rumo a Santarém.

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

A CP tem percorrido um longo caminho rumo a servir os clientes que pretendem conjugar a bicicleta com o comboio para evitar o automóvel, está muiiito melhor, mas ainda há espaço para melhorar. Por exemplo, podiam tornar esta área das carruagens mais amigável para quem se desloca com “cenas” (cadeiras de rodas, carrinhos de bebé, pranchas de surf, bicicletas, malões, etc), principalmente em grupo, reorganizando o espaço e os assentos, de forma a permitir moldar melhor o espaço a diferentes necessidades. Convertendo mais assentos normais em rebatíveis, por exemplo, seria um primeiro passo muito simples.

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Chegados a Santarém, fomos ver as vistas (o que implicou subir e bem) e piquenicar no Jardim das Portas do Sol, aproveitando para gravar uma saudação para o 1º CycleHack Lisboa que estávamos na altura a organizar.

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Depois pedalámos durante 1 hora até ao parque de campismo de Alpiarça, a 13 Km de distância.

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

O parque (e a zona) foi escolhido porque é dos poucos que admite animais, e a Mutthilda não podia ser deixada em casa e perder a festa, claro.

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

O acampamento:

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

O parque era simples, mas simpático de atmosfera e de staff. Tinha pouca gente, e a Mutthilda e os miúdos andavam por ali à vontade. No segundo dia ficámos por lá, deitados nas mantas e também a curtir a piscina, que soube muito bem dado o calor que estava.

Ao terceiro dia, e depois de mais um mergulho na piscina para arrefecer, e um almoço meio improvisado no restaurante do parque (já referi que foram bastante simpáticos?), fizémo-nos à estrada para regressar a Santarém e panhar o Regional de volta a Lisboa.

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Optámos por sair no Oriente, e depois de andarmos a acartar bicicletas e atrelados por elevadores, escadas rolantes e escadas das outras, duas das famílias ainda se puseram a pedalar mais uns quilómetros e subir até ao [agora antigo] atelier da Cenas a Pedal para,… hmm, cenas.

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Depois nós seguimos para casa, e o Bruno & família ainda continuaram, de carro, para Torres Vedras. A multimodalidade ilustrada. 🙂

Nesta viagem éramos 5 adultos, 4 crianças e 1 cão, em 5 bicicletas normais, 1 longtail, 1 tandem e 1 atrelado. Digamos que não passámos despercebidos em lado nenhum:

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Mini Bike Tour Santos 2016 | Alpiarça

Não é preciso muito para criar um fim-de-semana memorável. 🙂 Nomeadamente para quem faz questão de incluir os companheiros de 4 patas nas suas excursões, este é um programa compatível.

Mini-tour da Páscoa

A nossa mui aguardada primeira viagem de 2015, yeaaah!

Mini-tour da páscoa

Éramos 4 adultos, 3 crianças dos 6 aos 9 anos, e 1 cão. Pedalámos até ao Meco no primeiro dia, acampámos, fomos a pé até à praia no segundo dia, e pedalámos de regresso a Lisboa ao terceiro dia.

O H. e o R. estavam em pulgas! A sua primeira viagem de bicicleta com campismo, e ainda por cima a Mutthilda também ia! 😀

O tempo estava fan-tás-ti-co. Tudo correu maravilhosamente bem. Foi mesmo muito fixe, e só queremos é fazer mais disto. 🙂

A “aventura de bicicleta 2014” do Joe

Surly LHT do JoeO Joe passou umas noites connosco via Warm Showers durante a sua viagem de 4 meses em bicicleta pela Europa. E agora publicou um vídeo dela. É impossível não querer fazer o mesmo. 🙂

No Verão de 2014 decidi que era tempo de um pouco de aventura e por isso deixei o meu emprego em Londres, a par dos meus amigos e família para ir explorar de bicicleta. Já tinha feito antes algumas curtas viagens de bicicleta com amigos mas esta era para ser uma viagem solitária e uma muito maior distância. Pedalei, explorei, voluntariei-me, nadei, comi comida maravilhoasa, conheci pessoas tão interessantes, e acampei em alguns sítios muito bonitos. A Viagem não foi sempre fácil (como pode parecer no vídeo – não filmei com mau tempo!) mas foi um desafio que eu procurava, e como valeu a pena. às pessoas que conheci ao longo do caminho e também com quem viajei – muito obrigado por serem tão acolhedoras e inspiradoras – tornaram a viagem tão mais rica.

Dia XIII: o regresso a Lisboa

Este post faz parte de uma série: Lisboa-Messines-2013! As fotos estão aqui.
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Finalmente, no dia 31 de Agosto, sábado, regressámos a Lisboa. Pedalámos até à estação da vila, S. Bartolomeu de Messines, para tentar a nossa sorte com o comboio (nessa altura já não havia Regionais Algarve – Lisboa, e o Intercidades requer que as bicicletas sejam desmontadas e embaladas). Desmontar e depois remontar as bicicletas seria uma trabalheira desnecessária (enão tornaria os volumes assim tão mais compactos ou arrumáveis no comboio), por isso tentámos safar-nos com uma técnica intermédia:

  1. retirámos todos os sacos e bagagem da bicicleta
  2. rodámos o guiador
  3. bloqueámos os travões com abraçadeiras plásticas
  4. removemos os pedais
  5. prendemos a roda dianteira ao quadro com umas Rok Straps, para não se mover
  6. embrulhámos as bicicletas em sacos pretos opacos

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Infelizmente, quando chegámos à estação não estava lá mais ninguém e não conseguimos perceber onde pararia o comboio para Lisboa. Tratámos desta logística numa plataforma, mas entretanto chegou mais gente e foram para a outra – perguntámos-lhes e afinal era do outro lado, pelo que toca a fazer piscinas a acartar as bicicletas embaladas e os vários sacos.

Entretanto chegou o comboio. Tentamos perceber onde pararão as carruagens e se haverá alguma carruagem própria para bagagem mais volumosa. O revisor está à porta e olha para nós de alto a baixo – receamos o pior. Mira-nos e volta a mirar-nos e diz-nos que devíamos ter desmontado as bicicletas… Mas no final deixa-nos entrar. Ufa. Ele sugeriu-nos a zona da bagagem mas “fugimos” e ficámos no corredor porque achámos que seria mais prático para todos. Arrumámo-las ao alto e no início estávamos a pensar ficar lá com elas, mas depois vimos que não era necessário, as pessoas passavam bem, as bicicletas não caíam.

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As pessoas tinham que se desviar, para passar entre carruagens, mas dava perfeitamente.

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A catrefada de sacos e bagagem ficou ao monte atrás dos primeiros bancos de passageiros.

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Bonito embrulho, hein? 😛

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Entretanto, chegamos a Lisboa e optamos por ficar em Sete Rios.

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Junta-se novamente a tralha toda na plataforma.

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E desembrulhar é mais fácil e rápido que embrulhar e num instante estamos prontos para continuar viagem, agora até casa.

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Descemos as escadas rolantes em marcha-atrás.

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Ah, Lisboa, so welcoming. 😛

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E mais uns quilómetros a pedalar depois, chegámos bem a casa. A sensação de regresso a casa é também uma doce parte de viajar. 🙂

Dia VII: Sagres – Messines

Este post faz parte de uma série: Lisboa-Messines-2013! As fotos estão aqui. —————————————————————————————-

É uma vergonha, deixei o relato a meio e só lhe consigo voltar a pegar 6 meses depois. 😛 Mas aqui vai!

DIA VII, 25 de Agosto, domingo
Sagres –> Messines
Cerca de 60 Km de pedaladas

Acordamos no parque de campismo de Sagres, espreitamos pela janela da tenda e vemos com alívio que as bicicletas, sacos e afins ainda estão no mesmo sítio. 🙂 Não deixamos a sorte ao acaso, mas isto às vezes basta ter azar.

Tomamos o pequeno almoço.

Depois arrumamos a trouxa e decidimos almoçar por ali, no restaurante do parque.

Depois de “atestados os depósitos” e partido tirado do wi-fi, fizémo-nos à estrada.

O nosso caminho do dia foi mais ou menos este:

Parte 1: Sagres-Lagos –» comboio para Tunes

Para começar, claro, não podíamos deixar de nos perder ligeiramente a tentar sair do parque e chegar à estrada principal por atalhos. 😛

Mas nada de grave, lá encontrámos o caminho, e optámos por seguir pela Ecovia do Algarve, paralela à N268 que tínhamos feito, em sentido contrário, no dia anterior.

Ao mesmo tempo que avisam que a estrada está em mau estado, apenas “recomendam” uma velocidade máxima de 60 Km/h (em vez dos 90 Km/h de limite que se aplicam ali)…

E a marcação da ecovia também não se livra do complexo de inferioridade ciclista, ali chegada à direita…

Cruzámo-nos apenas com 2 outros ciclistas:

“Proibir não vale a pena, vamos só recomendar”:

A dada altura deixámos a ecovia e entrámos na EN125.

E seguimos pela berma até Lagos.

De vez em quando, nas descidas e quando não vinham carros, acelerávamos pela faixa de rodagem. Mas a berma era aceitável no geral.

Estava bastante calor e de vez em quando parávamos para beber água e também para molharmos as costas um do outro, para arrefecer – sabe mesmo bem. 🙂

Entretanto chegamos a Lagos e vejo isto, uma pessoa numa cadeira de rodas a circular pela estrada, porque não há passeios nem bermas… *sigh*

A estação de comboios de Lagos era nova. Chegámos, encostámos a bicicleta a uma parede (que parecia servir mesmo para isso :-P) e fomos comprar os bilhetes para Tunes.

Enquanto lá estávamos, vi um rapaz entrar com a bicicleta [de BTT]  para a casa-de-banho. Presumo que não tivesse trazido cadeado. 😛

Lá chegou o comboio (Lagos é uma estação terminal) e tratámos de içar as bicicletas para a carruagem respectiva. “Içar” é a palavra mais adequada, dado que a entrada não tem sequer escadas de acesso, como as entradas normais…

Nos comboios regionais da CP é permitido, e gratuito, transportar bicicletas, e estes até têm mesmo um compartimento para carga, com ganchos para bicicletas.

Infelizmente estes ganchos são práticos para bicicletas como as da foto, beater bikes. Nada fixa as bicicletas impedindo-as de oscilarem e baterem uma na outra. E colocar as bicicletas nos ganchos não é prático, ou mesmo viável, para bicicletas mais pesadas e/ou carregadas, como as nossas. Por isso, e mesmo que os ganchos não estivessem ocupados, arrumámos as nossas a um canto, imobilizando-as com abraçadeiras plásticas no travão da frente e com umas Rok Straps.

Partimos então logo com 4 biclas a bordo:

Numa outra estação entrou uma rapariga com uma bicicleta mais citadina, e pendurou-a num outro gancho (que não era bem para biclas, pareceu-nos).

Acabámos por passar a viagem naquele compartimento, que parecia uma prisão. 😛

Como tínhamos a tralha toda nas bicicletas e este compartimento não era visível do compartimento dos passageiros, preferimos ficar ali e pronto. E fomos espreitando pela janela a apreciar a paisagem.

A dada altura as estações passaram a ser do outro lado e tivémos que mudar um pouco as bicicletas para não obstruirmos a porta:

Não estávamos à espera desta, mas na estação de Tunes tivémos que tirar as bicicletas – carregadas – de uma altura muito maior. Já estávamos com medo de nos atrapalharmos a fazê-lo com a altura de Lagos, e de repente, toma lá um desnível de quase 1 m!

Chegamos a Tunes!

Felizmente os elevadores funcionavam. 🙂

Parte 2: Tunes-S.B. Messines

Nesta altura, antes de sairmos de Tunes, eu aviso a minha tia que mais 1 hora devo estar lá. lol Primeiro ainda estivémos ali algum tempo a fazer uns vídeos e tirar uma fotos. Depois, bom, depois metemo-nos por atalhos, andámos meio perdidos no meio da serra, e chegámos lá umas 2 horas mais tarde do que o previsto. 😛

Pensávamos que estava quase, mas enganámo-nos. Claro que não podia haver uma viagem em que não nos perdêssemos de alguma forma. 😛 Armámo-nos em espertos e decidimos usar o Google Maps, seguindo uma rota pedonal, para atalhar caminho:

O resultado foi andar a fazer BTT nocturno, às apalpadelas no meio da serra, por laranjais e afins, com medo que aparecesse algum agricultor de espingarda em punho e cães em pulgas, quase sem bateria nos telemóveis, “longe” da civilização, a um domingo quase à meia-noite, sem comida, sem sequer sabermos dizer onde estávamos para alguém nos vir buscar, se fosse o caso. 😛 Nem tudo era mau, claro, tínhamos as tendas, podíamos pernoitar ali no meio se víssemos que era mais sensato. E tínhamos boas luzes nas bicicletas para iluminar o caminho. Mas o caminho era terra batida com pedras e calhaus. Muito chocalhámos nós por aqueles caminhos. Felizmente sem cairmos uma única vez, lol. Por um lado até foi divertido.

Depois, saídos dali, íamos lançados para apanhar o IC1 num pequeno troço, que nos levaria mais directamente ao destino, mas vimos à entrada que era interdito a bicicleta, e lá fomos nós metermo-nos outra vez por atalhos, mas desta vez asfaltados! 😛

Conseguimos não passar por cima de uma cobra na estrada (aargh) numa descida. E depois de mais uns quilómetros a pedalar, finalmente, chegámos a casa, sãos e salvos, cobertos de terra vermelha. 🙂

Garagem interior, claro. 😛

Et voilá! Cerca de 300 Km em bicicleta, de Lisboa a Messines, em 6 dias – conseguimos, sobrevivemos e até gostámos! 🙂 A repetir!

CONCLUSÕES para a posteridade:

  • Cuidado com os atalhos… O Google não indica a qualidade dos acesso pedonais.
  • Investir num GPS a sério, dedicado, em vez de usar o telemóvel – se a bataria acaba, não temos GPS nem telemóvel!
  • Levar baterias extra para os telemóveis.
  • Levar comida extra caso nos percamos!
  • Tentar não andar tão tarde ainda na estrada, é mais chato quando nos perdemos, está escuro, as pessoas estão em casa a dormir, etc

Dia VI: Aljezur – Sagres

Este post faz parte de uma série: Lisboa-Messines-2013! As fotos estão aqui.
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DIA VI, 24 de Agosto, sábado
Aljezur –> Sagres
Cerca de 55 Km de pedaladas

O nosso caminho do dia foi mais ou menos este:


Ver mapa maior

De manhã, no parque de campismo do Serrão, enquanto arrumávamos as coisas para partir, pusémos os gadgets electrónicos a carregar e esperámos que as toalhas secassem (de noite nada seca por causa do orvalho, quase ficam mais molhadas do que antes de as deixarmos lá).

Aljezur

Arrancámos rumo a Aljezur, que ficava a 3 Km do parque, para almoçar. Havia bastante movimento. Era sábado, dia de mercado, e aproveitámos para ir comprar fruta boa! Depois passámos a ponte e fomos comer melancia e pêssegos para um pequeno parque com muita sombra, e observar as cobras e peixes e afins na ribeira.

Aljezur

Depois disto voltámos um pouco para trás, e fomos comprar umas coisas ao Intermarché depois de um taxista nos dizer que era o único sítio ali tipo supermercado. Distraí-me com as horas, e entretanto já passava das 14h30, e alguns restaurantes já tinham a cozinha fechada. Então voltámos ao “centro”, passámos o mercado municipal e entretanto lá encontrámos um sítio onde almoçar “tarde”. Curiosamente, também havia minimercados ali naquela rua (é o que dá perguntar coisas a taxistas, que andam de carro todo o dia).

Como um lugar livre mesmo em frente, estacionámos as biclas (que não têm apoio de descanso, por isso, mais uma vez, vivam as Rok Straps!).

Aljezur

Aljezur Cycle Chic? 🙂

Aljezur

Um luxo, biclas logo ali ao lado! Estávamos sempre de olho a ver quando é que vinha um tipo lançado contra elas, a pensar estacionar sem reparar que elas estavam lá. 😛

Aljezur

Entretanto chegou um casal espanhol também para almoçar, ainda mais tarde que nós. 😛

Esta rua em Aljezur é parte de uma Estrada Nacional, a N120, e tinha um movimento considerável, nomeadamente de camiões. Lembro-me destacena quando lá passei há 10 anos, de ficar abismada como é que se permitia aquele volume e tipo de tráfego numa rua em que os passeios são meros pequenos pára-choques das casas:

Aljezur

O cruzamento de alguns camiões e afins numa curva antes do mercado municipal era complicado, e os peões não têm espaços decentes. Aquilo não está certo. Lembrava muitas ruas de Lisboa, mas com camiões.

Enquanto almoçávamos vi passar um grupo de 3 ciclistas que também deviam estar a fazer uma viagem como a nossa, em biclas de BTT. 🙂

Entretanto, depois de bem almoçados, lá seguimos rumo a Sagres. Mas quando estávamos a tirar as Rok Straps para soltar as bicicletas estacionadas, surge uma senhora do restaurante onde acabáramos de almoçar e mete conversa. E começa a dizer que aqui há pouco tempo uns amigos tinham feito uma coisa parecida, com os filhos, num atrelado. “Hmm, e esses amigos, como se chamam?”, perguntámos-lhe, olhando um para o outro. “Filipa e João”. “Ah, conhecemo-los, sim!” O mundo é pequeno! Falámos destas pequenas “loucuras” de uns e outros (tão sãs!) , ela desejou-nos muita sorte, e lá seguimos nós.

O primeiro troço, pela N120 até à bifurcação onde continuámos pela direita pela N268 (para a esquerda seguia a N120 para Lagos) foi mais movimentado. Havia algum trânsito automóvel, e também alguns camiões. A estrada era boa mas tinha uma berma pequena (é melhor uma estrada sem berma nenhuma do que uma com uma berma que nós não possamos usar em segurança como via). Não sei se era por ser sábado, pareceu-me haver mais trânsito e mais apressado.

Depois já na N268 apanhámos longos troços de estrada a subir e a descer, sinuosa. Puxou por nós, mas tínhamos almoçado bem! 😛

A paisagem era bonita e o dia lindo reforçava-a. Parámos um pouco para a apreciar e fotografar as vaquinhas que pastavam lá em baixo com um quase ensurdecedor ruído de badalos. 🙂

Sagres

Sagres

Depois da Carrapateira, onde não fomos espreitar a praia, para não chegarmos muito tarde a Sagres, foi onde a estrada começou a melhorar em termos de trânsito, apesar de o pavimento não ser tão bom (mas era perfeitamente adequado, ainda assim). Era bom também pelas árvores que ladeavam a estrada, tornavam-na mais agradável.

Aljezur

Continuámos sempre a pedalar em posição primária e fazendo o “control & release” quando necessário. A posição primária é entre o centro da via de trânsito e a marca do rodado direito dos automóveis, consoante as circunstâncias e a estrada em causa. No curso “Condução de Bicicleta em Cidade” aprende-se a aplicar este e outros conceitos. Do “control & release” falei neste post.

As pessoas têm imenso medo de serem levadas à frente ou mandadas ao chão por um carro, mesmo na cidade, onde isso é mais raro, mas principalmente em estradas nacionais e rurais, onde é o acidente mais comum, dado que há poucos cruzamentos, as estradas são longas, etc. Nós tínhamos noção desse risco acrescido deste tipo de acidente, e por isso mesmo mantivémos a posição primária nas estradas onde a berma não podia ser usada como via de trânsito (algo que só será legal a partir de Janeiro de 2014, mas que já muita gente faz por razões óbvias). Este tipo de acidente acontece porque um condutor ou não vê o ciclista ou avalia mal a sua velocidade ou posição e até o espaço para ultrapassagem. Se um condutor nos vê toma as medidas necessárias para lidar connosco (abranda e/ou ultrapassa). O perigo não é estar “no meio da estrada”, é não sermos vistos (a tempo) e/ou não comunicarmos a mensagem correcta, de forma a permitirmos às outras pessoas reagirem atempadamente e adoptarem os comportamentos adequados.

Por isso é fundamental estarmos onde possamos ser vistos (onde as pessoas já estão a contar encontrar outros veículos) e sermos visíveis (luzes, contraste, movimento).

rural drift

 

Aqui está o Bruno, lá ao fundo, perfeitamente visível logo a grande distância, e a comunicar inequivocamente que não será possível ultrapassá-lo sem usar a via da esquerda, pelo que todos os condutores que o encontram no caminho têm muito tempo para preparar adequadamente a ultrapassagem (abrandar, aguardar uma zona da estrada com visibilidade suficiente, esperar que não haja trânsito em sentido contrário e efectuar a manobra) – e como ele deixou espaço à sua direita, e vai monitorizando a ultrapassagem pelo espelho retrovisor, tem sempre um espaço de reserva que pode usar para se desviar, se necessário, se algum condutor não efectuar da forma mais correcta essa mesma ultrapassagem. Ver, ser visto, comunicar, dar espaço para erros. Na nossa escola ensinamos a aplicar estes conceitos e valem tanto na cidade como fora dela, como pudémos avaliar pessoalmente nesta viagem

IMGP4405

A dada altura chegamos ao parque eólico onde 10 anos antes andámos também, e vamos tirar as fotos da praxe, claro! 🙂

Sagres

Sagres  Sagres

Estava lá uma autocaravana (mais uma!), um pai e dois miúdos foram ver as torres também, e ele ofereceu-se, em inglês, para nos tirar uma foto, ainda antes de ter percebido que não éramos estrangeiros (depois tirou a foto à mesma :-P). Queremos contribuir para que isto deixe de ser algo que se associe a estrangeiros, os portugueses também merecem usufruir do seu belíssimo território, em bicicleta, bolas!

Já perto de Sagres seguimos pela berma da N268, a boa velocidade (mas não a par, que a nossa velocidade e a largura da berma não eram compatíveis). A dada altura apercebemo-nos que havia um troço da Ecovia do Algarve ali ao lado, mas não sabíamos como lhe poderíamos aceder nem para onde ia, pelo que era irrelevante – e a berma da N268 estava a prestar bom serviço na altura.

Fomos por uns atalhos de terra e lá alcançámos o parque de campismo de Sagres da Orbitur, ainda “de dia”! 🙂

Sagres

Entretanto pôs-se uma ventania e um frio algo desagradáveis, pelo que sofremos um pouco a montar a tenda. Optámos por jantar no café do parque. Essa experiência, e depois os balneários também, deixou-nos uma sensação de alguma decadência deste parque, o que é uma pena. 🙁

CONCLUSÕES para a posteridade:

  • um relógio de pulso pode ser boa ideia, para não nos distraírmos com as horas (que afectam as opções para almoçar, por exemplo)
  • o parque de campismo de Sagres é para evitar se conseguirmos descobrir uma alternativa melhor (não é mau mas também já não é bom)
  • o parque de campismo de Sagres era ventoso à noite mas agradável durante o dia
  • não questionar a rota definida pelo homem do leme se decidimos não contribuir à partida para definir a mesma 😛
  • não será nada mal pensado investir mais tarde num sistema destes para nós, se encontramos uma solução que não requeira o capacete (que não usamos) como suporte :-/ Permitirá comunicarmos melhor, e mais frequentemente quando não podemos seguir a par, e ainda dá para ouvir música, que foi algo de que senti falta em alguns troços mais monótonos

DIA V: Zambujeira do Mar – Aljezur

Este post faz parte de uma série: Lisboa-Messines-2013! As fotos estão aqui.
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DIA V, 23 de Agosto, 6ª-feira
Zambujeira do Mar –> Aljezur
Cerca de 48 Km de pedaladas

O nosso caminho do dia foi mais ou menos este:

Ver mapa maior

Acordámos com a tenda ainda à sombra (isto vai-se aprendendo umas coisas).  🙂

Zambujeira do Mar

Arrumámos o estaminé e fomos ter à vila, espreitar o mar.

Zambujeira do Mar

Eu a pensar “bolas, agora ia bem um mergulho”. 😛

Zambujeira do Mar

O Pedro, que se mudou de Lisboa para Zambujeira do Mar há uns meses, tinha-nos convidado a contactá-lo para nos mostrar um sítio fixe para comer, e acompanhar-nos até Odeceixe, e assim foi (obrigada Pedro!).

Fomos almoçar a um restaurante de que não me recordo o nome, mas que fica no Porto das Barcas (ponto C no mapa). Calminho, perto do mar, com mesas cá fora. 🙂

Zambujeira do Mar

Depois arrancámos os três rumo a Odeceixe. Mas primeiro, íamos passar em S. Teotónio, a ver se tínhamos sorte e encontrávamos aquilo de que o Bruno precisava para reparar o fogão de campismo.

Zambujeira do Mar

O control & release não funcionou tão bem a três, ou pelo menos com dois a circular a par (só há uma coisa que afronta mais os automobilistas do que não andar chegado à direita, é andar a par), mas funcionou ainda assim.

Em S. Teotónio a LHT do Bruno foi “baptizada”, caiu ao chão com uma rajada de vento mais forte. Não houve danos, salvo a fita do guiador, que se esfarelou no ponto de impacto. Mas o alforge e até o espelho retrovisor sobreviveram incólumes (provavelmente porque a bicicleta estava com a roda dianteira travada, e tinha peso, baixo, de ambos os lados, o que permitiu uma queda suave e lenta).

Odeceixe

Em Odeceixe o caminho até à praia é deslumbrante! 🙂 Fazê-lo de outro modo que não de bicicleta é um sacrilégio. No final tem umas subidas, masa praia vale todas as gotas de suor que possam despoletar. 😛

Chegados à praia e despedidas feitas ao Pedro, queríamos ir ao banho e desfrutar daquela bela Natureza! 🙂 Ai, a ideia dos cacifos para ciclo-viajantes… Descemos aquilo com calma até lá abaixo, e empurrámos as biclas na areia, até uma pequena duna (perdoai-nos, senhor, esse pecado).

Odeceixe

Só não as levámos para o pé das toalhas porque cansava mais. 😛

Odeceixe

Odeceixe

Arrumadas as biclas, fomos mudar de roupa no WC do café que dá para a praia e onde comprámos uns gelados como “lanche” (e onde jantaríamos depois).

A praia, pelo menos do lado fluvial, é linda de olhar e linda de sentir.

Odeceixe

Embora dispensasse a vista de tanta autocaravana, confesso… E depois são todas brancas, é monótono. 😛

Odeceixe

Entretanto o pessoal debandou todo e ficámos quase só nós na praia, o que deu jeito para trocarmos de roupa. Um vestido é super prático para isso, primeiro a parte de cima (faz-se um topless rápido) e depois a parte de baixo, resguardada de olhares pelo vestido. De qualquer modo, ali ao lado há uma praia de nudismo. 🙂 Para quem não é adepto de vestidos, a toalha serve! A beleza da coisa é que, do lado fluvial conseguimos sair da água impecáveis, sem areia, é só secar e mudar de roupa.

Entretanto, resolvemos jantar ali qualquer coisa em vez de deixar isso para as tantas, no parque de campismo.

Odeceixe

Arrancámos já de noite praticamente, e pedalámos na boa os 15 Km até ao parque de campismo.

Este parque do Serrão tinha uma boa vibe. Mal chegámos apercebemo-nos de que 1) tinha imensas crianças e jovens e 2) havia bicicletas por todo o lado. Deve ser um parque particularmente interessante para famílias com miúdos, tinha campos desportivos, um relvado onde havia um grande grupo numa actividade qualquer logo quando chegámos (lá para as 21h30), piscina, e as ruas principais asfaltadas e em muito bom estado para andar de bicicleta, e uma zona comum de grelhados. Muito fixe.

Pouco depois de escolhermos o nosso lugar, chegou uma família. Entretanto lá nos tínhamos arrumado (tenda, corda para a roupa, bicicletas parqueadas – e como as bicicletas ficaram um bocado perto da tenda deles, fui lá pedir desculpa pelo facto, avisando que iríamos sair na manhã seguinte de qualquer modo. A senhora respondeu que “tudo bem, não há problema nenhum”, e ainda se ofereceu para nos deixar carregar as baterias dos telemóveis e assim no ponto de electricidade deles. 🙂 Por acaso já tínhamos pedido um para nós, e dado que tínhamos várias coisas para carregar, foi melhor, mas é uma alternativa a considerar para futuras viagens, a generosidade dos vizinhos. 🙂

Menos fixe: água “pró fria” no duche. Episódio para rir: indeliberadamente, tomei banho no balneário masculino. Estava vazio quando entrei e quase todo o tempo em que lá estive, só me apercebi mesmo quando estava a sair do edifício, pelo ar confuso de um rapaz que entrava naquele momento, que me olhava como se eu tivesse cometido uma grande infracção, lol.

Muito menos fixe ainda: furei o chão da tenda num pedaço de arame farpado (!) enterrado no chão, que não detectámos quando montámos a tenda (era de noite e fizémo-lo com pouca luz). Felizmente que não furei o colchão!

CONCLUSÕES para a posteridade:

  • Odeceixe é definitivamente para revisitar!
  • ao empurrar as LHT, carregadas, pela areia, percebemos que ajuda imenso a manobrabilidade se a mão atrás segurar no tudo do selim, logo abaixo da sua junção com o “top tube
  • pedalar de noite no Verão é mesmo fixe!
  • montar a tenda ainda de dia, ou usar uma lanterna para ver o chão, nomeadamente se está lá algo que possa furar a tenda ou um colchão, por exemplo
  • confirmar efectivamente se estamos no balneário certo para não arriscarmos situações de atentado ao pudor, lol

DIA IV: Porto Côvo – Zambujeira do Mar

Este post faz parte de uma série: Lisboa-Messines-2013! As fotos estão aqui.
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DIA IV, 22 de Agosto, 5ª-feira
Porto Côvo –> Zambujeira do Mar
Cerca de 62 Km de pedaladas

O nosso caminho do dia foi mais ou menos este:


Ver mapa maior

Saímos do parque de campismo ao fim da manhã e arrancámos em direcção a Vila Nova de Milfontes. Ainda estávamos na vila quando vi o Nuno Markl a falar ao telemóvel na rua, junto a uma esplanada. Ainda pensei em ir lá, meter conversa e dizer “quando quiser realmente aprender a andar de bicicleta, é aqui!“, mas depois achei que o homem tem direito a férias e que deve estar farto de gente a chateá-lo, e segui. 😛

Em V.N. de Milfontes fomos procurar um sítio onde pudéssemos reparar o fogão ou então, talvez, comprar outro. Por momentos pensei que a vila era muito à frente, na rua principal via um parque de estacionamento para biclas num lugar de estacionamento em vez de no passeio, mas depois vi que pertencia à frota de uma empresa. 😉

Vila Nova de Milfontes

Afastámo-nos da rua principal à procura de um lugar mais calmo para almoçar. Tivémos sorte, encontrámos um restaurante (ponto C no mapa) com mesas de madeira e bancos corridos cá fora e à sombra, e onde pudémos deixar as biclas ao pé e também à sombra. 🙂 

Vila Nova de Milfontes

Depois de almoçados, refizémo-nos à estrada. Para reparar o fogão não tivémos sorte, mas encontrámos uma loja tipo “dos 300” (ponto D no mapa) que tinha um kit de 2 (um fogão + um candeeiro), por 45 €. Estivémos ali vai-não-vai, mas decidimos não gastar dinheiro naquilo – teríamos mais coisas para acartar, aquilo podia estragar-se também e depois ficávamos a arder (era uma marca indiferenciada, e não voltaríamos facilmente à loja para pedir a garantia, enquanto que o fogão que temos e que se avariou é um Coleman). Pensámos: pelos 45 € do fogão quase que conseguimos almoçar e jantar nos próximos 3 dias (a técnica de comer num restaurante e depois levar o que sobra para o jantar é muito prático, e geralmente as doses são grandes, mas na verdade só fizémos isto uma vez,neste mesmo dia). Não compensava muito comprar outro fogão e então seguimos.

Antes de nos fazermos ao caminho para a Zambujeira do Mar, fomos espreitar o Farol de Milfontes. Já lá tínhamos passado anos antes e quisémos revisitar a paisagem. Aproveitámos para re-aplicar o protector solar, beber água, respirar mais um pouco de sol & mar, e reunir mais umas “stock photos“. 🙂

Vila Nova de Milfontes

E allez que se faz tarde. Passar a ponte sobre o Rio Mira foi fixe, uma bela paisagem apreciada à (boa) velocidade da bicicleta. 🙂 Depois pela N263, que tinha bom piso e uma berma larga para irmos a par muitas vezes (um direito que quem vai de carro assume como garantido, ir lado-a-lado a conversar e comunicar e que a partir de Novembro também “assiste” aos ciclistas). 🙂 Ah, e o uso das bermas também passa a estar previsto na lei como uma opção para os ciclistas.

Uma paragem para um chichi, mais água, ver o mapa e umas fotos. 😛

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Na nossa primeira road trip [de carro], quando começámos a namorar, há mais de 10 anos, passámos pela praia de Almograve, e quisémos revê-la, agora a pedalar. 😉 Assim, cortámos para a direita, rumo à costa:

Almograve

A vila tinha bom aspecto, foi uma lufada de ar fresco.

Almograve

Parámos e encostámos as biclas a mais uma parede, para beber água, e comprar fruta e mais umas coisas num minimercado. Quando nos apercebemos, damn it!, de um stand de farturas do outro lado da rua. Bolas, tanta pedalada a queimar combustível acumulado e agora vamos lixar tudo com uma fartura à qual não vamos resistir.

Almograve

Aquele sorriso de prazer está carregadinho de culpa. 😛

Mais umas pedaladas e chegamos à praia. Há 10 anos atrás havia o restaurante, agora desactivado e mais nada.

Almograve

Era uma estrada em terra batida até à praia, e os carros estacionados quase à beira de caírem lá para baixo. Agora havia uma zona delimitada para estacionar, um pouquinho mais recuada que antes, com uns blocos com um buraco no meio para dar estrutura mas sem impermeabilizar o solo, presumo), uma zona de estadia com bancos e sombra para apreciar a paisagem:

Almograve

Estacionámos lá as biclas e enquanto eu tirava fotos o Bruno meteu conversa com umas pessoas que lá estavam, que disseram que se tinham cruzado connosco na estrada, e daí se desenvolveu uma conversa sobre o uso da bicicleta. 🙂

Almograve

A vista enchia a alma. 🙂

Almograve

Almograve

Um dia talvez possamos fazer estas rotas a pé.

Almograve

Pessoalmente dou-me melhor com a bicicleta, adoro andar a pé, mas entre a escoliose e as pernas pesadas, fico KO rapidamente. 🙁 A bicicleta acomoda melhor estes handicaps.

Ainda era quase “cedo”, vimos que havia uma rampa de acesso à praia e pensámos “‘bora para a praiaaaaaa!“.

Almograve

Havia um parque para bicicletas mas 1) era um dobra-rodas e 2) estava demasiado longe da praia para lá podermos deixar as biclas com toda a nossa bagagem.

Almograve

Pensei que os sítios cycle-tourist-friendly deveriam ter cacifos onde guardar as bicicletas com toda a carga, junto do balneário onde se pudesse tomar duche e mudar de roupa. Aaah, a utopia. 🙂

Solução “à tuga”? Levar a bicla para o pé de nós. Não é algo que nos orgulhe, mas, dado que éramos só nós a fazê-lo, não foi um problema e permitiu-nos desfrutar de uma experiência boa. 🙂

Almograve

Deixámo-las na rampa, fora da areia, encostadas à vegetação.

Almograve

Para um ladrão de ocasião, empurrá-las lá para cima seria difícil e lento, e tirar de lá coisas também não seria imediato, e então, apesar de estarmos sempre a olhar para lá, pudémos dar uns mergulhos e caminhar na areia. 🙂

Almograve

Usámos os balneários que ainda existem, embora desactivados (havia 2 duches + 1 WC), e agora só há 1 WC, com porta. Vários minutos à espera para trocar de roupa e vestir o fato-de-banho, e pronto. Estávamos preocupados com a perspectiva de continuar a viagem pedalando com a pele cheia de sal e areia, mas perguntámos a alguém se sabia se havia algum duche na praia e disseram-nos que sim, mesmo no fundo da praia, no recanto. Pensámos que se referia a um duche “oficial”, mas afinal era um sítio onde escorria pelas rochas água doce e as pessoas usavam como duche. 🙂 Brilhante! Pudémos sair da praia e voltar à roupa normal sem recear ficarmos assados com areia nos calções. 😛

Soube mesmo mesmo bem aquela horinha de praia. 🙂 Não gostamos de confusão nem de praias de betão, em cima da praia só deve haver dunas, pinhal, etc, nunca carros, asfalto, prédios!… Infelizmente o resto dos portugueses não vê as coisas da mesma maneira, parece, e por isso são raras as praias assim. Esta é mais uma de aproveitar enquanto durar…

E a coisa boa não acabou ali! Logo à saída, havia uma estrada em terra batida que continuava junto à costa. Perguntámos a alguém se aquilo continuava para a Zambujeira do Mar e disseram-nos que não, que ia dar a um sítio bonito, a um porto de pescadores (ponto H no mapa), mas que ainda era longe. Olhámos um para o outro, já deviam ser umas 20h, faltavam uns 20 Km para chegarmos ao próximo parque de campismo, que podia fechar entretanto a recepção, etc, etc,… e dissémos “vamos lá!”. 😀

Almograve

Ainda bem que o fizémos. No caminho e no destino, a luz era perfeita, a vista também, o silêncio divinal. Até o ar e a própria terra da estrada, apesar de meio ondulada, eram perfeitos.

Almograve

Depois voltámos ao caminho, pedalando por estradas quase sem trânsito, e quase sem gente, já de noite.

IMGP4299

É óptimo pedalar à noite (com boas luzes!…), relaxante, mais fresco, sem preocupações com protector solar, etc. O único problema são as melgas – temos que pedalar depressa para elas não nos apanharem! 🙂

Acho que démos “uma ganda bolta“, mas lá chegámos, finalmente, a Zambujeira do Mar e ao seu parque de campismo. A recepção fechava no preciso momento em que entrei na mesma para fazer o check-in: 22h00! Tivémos sorte, o minimercado ainda estava aberto e pudémos reabastecer-nos para o jantar. Depois foi andar às voltas a procurar um sítio bom para montar a tenda, enquanto éramos atacados pelas melgas (pelo menos até eu sacar do repelente!).

Cena estranha deste parque: podemos fazer o check-in até às 22h, mas a partir dessa hora já não temos direito a duches, temos que pagar para tomar banho entre as 22h e as 8h (!). Tem que se pôr uma moeda numa máquina FORA da cabine!!… Fantástico. Mas à parte isso, era um parque simpático, do que nós vimos e usámos na nossa curta passagem por lá. 🙂

CONCLUSÕES para a posteridade:

  • não sair de casa com equipamento avariado ou mal reparado (o fogão, no nosso caso)
  • Almograve é sem dúvida para repetir
  • uma cena destas tinha-me poupado tempo que podia ter sido usado em mais mergulhos no mar! 😛
  • uma cenas destas também me parece cada vez mais interessante, mesmo em viagens-sem-ser-até-ao-fim-do-mundo! 😉 
  • uma luz daquelas de fixar à testa daria jeito para todas estas montagens de tenda e afins à noite
  • além de um repelente de insectos, não sair de casa sem um creme para picadas de insectos…