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Passeio de bicicleta pela ecopista de Évora

Aproveitámos a pausa da Páscoa para ir dar um passeio de bicicleta pela ecopista de Évora:

A equipa desta escapadinha era pequena (e boa!), 3 adultos, 2 crianças (8 e 11 anos) e 1 cão.

Porquê Évora para uma ciclo-escapadinha?

Queríamos ir conhecer mais uma ecopista (porque é sempre fixe, claro, e também para a incluir num dos passeios da Escola de Bicicleta da Cenas a Pedal), e a escolha recaíu sobre a de Évora porque:

Assim conseguimos um bom equilíbrio entre tempo e custo de deslocação e tempo de usufruto no local, para um orçamento de 3 dias.

A viagem de comboio

Para nós a viagem começou em Santa Apolónia, onde apanhámos um Urbano para a estação de Oriente – o bilhete do Intercidades permite fazer esta viagem gratuitamente por isso comprámos logo os bilhetes em Santa Apolónia.

A linha do Intercidades para Évora não tem ganchos para levar as bicicletas, pelo que tivémos que semi-desmontá-las e embalá-las (como fizémos na viagem para a ecopista do Dão). Isto acrescenta mais uns 45 min de preparação descontraída (30 a acelerar!) para embarcar e depois, uma vez desembarcados, outros 45 min para zarpar.

Para a próxima perguntaremos ao revisor se podemos pô-las na carruagem-bar, desactivada nesta linha, assim poupamos hora e meia de descarrega-desmonta-embala-desembala-monta-carrega – grande dica (a posteriori!) do Gonçalo P. da Cicloriente).

A estadia em Évora

Em Évora, e depois da tal logística, arrancámos da estação para o parque de campismo, onde montámos campo e almoçámos. Depois de uma soneca fomos dar uma volta pela cidade, e passar no supermercado a abastecermo-nos do que faltava.

No dia seguinte, levantámo-nos nas calmas e arrancámos para um passeio pela ecopista.  A entrada da ecopista é super-discreta, e não digo isto como um elogio, aquilo merecia um pouco mais de destaque!

Passeio de bicicleta pela ecopista de Évora

A primeira parte, mais na malha urbana, é pavimentada. Depois entramos no campo! 🙂 É aqui que começamos a ter a ecopista só para nós. Pelo caminho encontrámos cavalos, ovelhas e vacas.

Parámos para almoçar quando encontrámos um sítio à sombra e com espaço para estendermos as mantas. Isto é algo que poderia ser melhorado, haver espaços para descansar, à sombra, a intervalos regulares, e devidamente mapeados. Depois voltámos para trás, para garantir que toda a gente do grupo tinha energia para voltar à base. 😉 Ficou muita ecopista por conhecer, dá para encher outra visita.

No dia seguinte ficámos pelo parque de campismo, na piscina, a ler, a brincar, e a levantar e arrumar o estaminé para arrancarmos no comboio das 17h.

O equipamento

O Bruno levou a Surly LHT em vez da Big Dummy porque esta última não caberia no Intercidades. Assim, o transporte da Mutthilda foi novamente o cesto (ela parece dar-se melhor com a caixa transportadora presa ao deck da longtail, mas temos que nos adaptar!). Eu levei a minha LHT também, e experimentei um novo suporte dianteiro, mas o júri ainda está em deliberação – o lowrider é capaz de ser melhor para esta aplicação, peso fica mais em baixo e isso pareceu fazer diferença. O Rui levou a Dahon (dobrável) com o atrelado/trolley Burley Travoy para a carga, o que permitiu levar o equipamento e bagagem de toda a gente numa só carruagem do comboio.

Correu tudo lindamente, apanhámos um tempo fantástico, a ecopista valeu bem o dia. Foi uma bela escapadinha!

Todas as fotos aqui.

Viajar trabalhando, trabalhar viajando

Isto não é um interregno.

Não vamos fazer umas férias da nossa vida de todos os dias. Não é uma pausa. É uma nova fase. Pelo menos é assim que escolho ver a coisa. Prefiro olhar para esta viagem como algo open ended, e não estar logo a pensar “quando regressamos?“, “o que faremos quando regressarmos?“. Não quero saber, nem tenho como saber.

Vamos viajar para trabalhar, e vamos trabalhar para viajar. E, claro, vamos ter que trabalhar para viver, como até aqui. Ora, e como faremos isso?…mantra

Bom, não sabemos ainda. Só quando nos fizermos à estrada é que descobriremos. Dá um frio na barriga quando pensamos nisso, largar o que conhecemos agora, por difícil e incerto e instável que seja (e é), e cair no mundo e ver o que dá, pois pensamos sempre:

mas provavelmente não vai dar e morremos à fome

Há essa possibilidade, mas temos que reunir coragem para pagar para ver, pois morrer toda a gente morre, mas viver implica acções deliberadas.

Ora, temos andado a investigar esta questão, há algumas hipóteses a explorar. Considerando opções que nos oferecem dinheiro ou comida – dado que o alojamento poderá ser a parte que mais facilmente asseguraremos de forma gratuita ou quase (ver brevemente post sobre opções de alojamento), temos:

Freelancing

Podemos continuar a ensinar adultos e crianças a andar de bicicleta e a conduzi-la, por onde passarmos. Não será possível fazê-lo com o mesmo nível de serviço com que o fazemos aqui, obviamente, não teremos o equipamento, a infraestrutura, o tempo, etc, mas poderemos ainda assim prestar um bom serviço. Da mesma forma, o Bruno poderá continuar a fazer trabalhos de mecânico de bicicleta compatíveis com as ferramentas à mão.

Podemos também ser uns nómadas digitais, é uma questão de desenvolver as nossas competências em áreas compatíveis. Um nómada digital é alguém que trabalha a partir de um computador com internet, basicamente, podendo fazê-lo em qualquer lugar, o que lhe permite viajar, mudando de casa ou de hotel ou o que seja, ao ritmo que desejar, e gerindo os seus horários de forma bastante livre. É o que fazem estas pessoas, e estas, e algumas destas, por exemplo.

Vai haver em Berlim, no final de Julho, uma conferência sobre isto. E já saiu o documentário Wireless Generation, da Christine Gilbert (uma nómada digital ela própria), que quero ver:

Este estilo de vida nómada associado a trabalho online parece-me cada vez mais interessante. Não sei se como estilo de vida definitivo, mas como experiência nova sem dúvida.

É apelativo, joga bem com os nossos perfis e com o que gostamos de fazer. Mas leva tempo a construir e até lá continuamos a ter que viver de alguma coisa. Ou seja, é essa a direcção, mas temos que a complementar com qualquer coisa mais imediata.

Trabalho em part-time em troca de alojamento & comida

Podemos ficar 1 ou 2 semanas (ou mais) de cada vez em ‘quintas orgânicas’, oferecendo ajuda em part-time (4-6 horas de trabalho por dia) em troca de comida & alojamento – a isto chama-se wwoofing. Para isso temos que nos registar na rede de cada país onde queremos trabalhar – ver WWOOF International, o que implica pagar uma anuidade em cada um dos países para podermos aceder à lista de quintas anfitriãs.

O site Worldpackers oferece o mesmo conceito mas aplicado a hostels. Contudo, a rede ainda é pequena, e achei pouco justa a troca pedida por muitos deles: 20-25 horas semanais de trabalho a troco de apenas alojamento (e em camaratas, em regra) e pequeno-almoço (ou seja, nem sequer inclui a alimentação diária por inteiro).

O HelpStay acaba por ser um mix, em troca de trabalho não remunerado, os anfitriões oferecem alojamento e, alguns, alimentação. Pareceu-me também um pouco desequilibrado, e falta-lhe escala.

Já o Work Away tem imensas ofertas, e variadas. Penso que este valerá a pena explorar melhor, mas a função de pesquisa é pobre, apenas permite pesquisar por país e região, e palavra chave, não tem categorias de trabalho associadas aos anúncios, tornando a pesquisa mais morosa.

Tal como o HelpX, de conceito idêntico., embora este categorize os anúncios por tipo de alojamento, pelo menos.

É comummente designado de voluntariado este tipo de sistemas de trocas de trabalho por alojamento & alimentação, contudo, uma pessoa tem que se questionar se isto é mesmo voluntariado. Pela definição:

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Ou seja, nada disto é propriamente voluntariado, pela definição acima, é trabalho temporário em que o pagamento é feito em géneros (alojamento e alimentação), e onde não há contratos de trabalho, descontos para a Segurança Social, nem seguros de trabalho. Isto só é aceitável porque é vocacionado para viajantes, pessoas que não vão ficar no mesmo lugar tempo suficiente para um emprego normal, e nem é isso que procuram, e porque uma parte importante da experiência, quer para os anfitriões, quer para os hóspedes, é justamente o intercâmbio cultural.

Para estadias curtas, em que as horas de trabalho pedidas são equilibradas face ao que é oferecido a nível das condições de alojamento e das refeições, esta informalidade e flexibilidade é interessante e parece-me tudo OK.

É como ir passar uns dias a casa de amigos ou familiares, e ajudá-los no que precisarem em troca da comida e dormida.

Como já tinha referido, o nosso grande objectivo era conseguir fazer isto, o conceito do HelpX (“help exchange“, ou “intercâmbio de ajuda“) mas também com escolas, lojas, oficinas, associações, fábricas, etc, etc, relacionados com a bicicleta, nomeadamente na sua vertente de transporte e lazer, para melhor podermos usar as nossas valências acumuladas ao longo destes últimos 10 anos, e para podermos documentar um pouco da bicicultura dos locais por onde passamos.

Acho que vamos experimentar tudo o que aparecer, e ver como corre!

Mini-tour da Páscoa

A nossa mui aguardada primeira viagem de 2015, yeaaah!

Mini-tour da páscoa

Éramos 4 adultos, 3 crianças dos 6 aos 9 anos, e 1 cão. Pedalámos até ao Meco no primeiro dia, acampámos, fomos a pé até à praia no segundo dia, e pedalámos de regresso a Lisboa ao terceiro dia.

O H. e o R. estavam em pulgas! A sua primeira viagem de bicicleta com campismo, e ainda por cima a Mutthilda também ia! 😀

O tempo estava fan-tás-ti-co. Tudo correu maravilhosamente bem. Foi mesmo muito fixe, e só queremos é fazer mais disto. 🙂

A “aventura de bicicleta 2014” do Joe

Surly LHT do JoeO Joe passou umas noites connosco via Warm Showers durante a sua viagem de 4 meses em bicicleta pela Europa. E agora publicou um vídeo dela. É impossível não querer fazer o mesmo. 🙂

No Verão de 2014 decidi que era tempo de um pouco de aventura e por isso deixei o meu emprego em Londres, a par dos meus amigos e família para ir explorar de bicicleta. Já tinha feito antes algumas curtas viagens de bicicleta com amigos mas esta era para ser uma viagem solitária e uma muito maior distância. Pedalei, explorei, voluntariei-me, nadei, comi comida maravilhoasa, conheci pessoas tão interessantes, e acampei em alguns sítios muito bonitos. A Viagem não foi sempre fácil (como pode parecer no vídeo – não filmei com mau tempo!) mas foi um desafio que eu procurava, e como valeu a pena. às pessoas que conheci ao longo do caminho e também com quem viajei – muito obrigado por serem tão acolhedoras e inspiradoras – tornaram a viagem tão mais rica.

Dia XIII: o regresso a Lisboa

Este post faz parte de uma série: Lisboa-Messines-2013! As fotos estão aqui.
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Finalmente, no dia 31 de Agosto, sábado, regressámos a Lisboa. Pedalámos até à estação da vila, S. Bartolomeu de Messines, para tentar a nossa sorte com o comboio (nessa altura já não havia Regionais Algarve – Lisboa, e o Intercidades requer que as bicicletas sejam desmontadas e embaladas). Desmontar e depois remontar as bicicletas seria uma trabalheira desnecessária (enão tornaria os volumes assim tão mais compactos ou arrumáveis no comboio), por isso tentámos safar-nos com uma técnica intermédia:

  1. retirámos todos os sacos e bagagem da bicicleta
  2. rodámos o guiador
  3. bloqueámos os travões com abraçadeiras plásticas
  4. removemos os pedais
  5. prendemos a roda dianteira ao quadro com umas Rok Straps, para não se mover
  6. embrulhámos as bicicletas em sacos pretos opacos

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Infelizmente, quando chegámos à estação não estava lá mais ninguém e não conseguimos perceber onde pararia o comboio para Lisboa. Tratámos desta logística numa plataforma, mas entretanto chegou mais gente e foram para a outra – perguntámos-lhes e afinal era do outro lado, pelo que toca a fazer piscinas a acartar as bicicletas embaladas e os vários sacos.

Entretanto chegou o comboio. Tentamos perceber onde pararão as carruagens e se haverá alguma carruagem própria para bagagem mais volumosa. O revisor está à porta e olha para nós de alto a baixo – receamos o pior. Mira-nos e volta a mirar-nos e diz-nos que devíamos ter desmontado as bicicletas… Mas no final deixa-nos entrar. Ufa. Ele sugeriu-nos a zona da bagagem mas “fugimos” e ficámos no corredor porque achámos que seria mais prático para todos. Arrumámo-las ao alto e no início estávamos a pensar ficar lá com elas, mas depois vimos que não era necessário, as pessoas passavam bem, as bicicletas não caíam.

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As pessoas tinham que se desviar, para passar entre carruagens, mas dava perfeitamente.

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A catrefada de sacos e bagagem ficou ao monte atrás dos primeiros bancos de passageiros.

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Bonito embrulho, hein? 😛

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Entretanto, chegamos a Lisboa e optamos por ficar em Sete Rios.

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Junta-se novamente a tralha toda na plataforma.

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E desembrulhar é mais fácil e rápido que embrulhar e num instante estamos prontos para continuar viagem, agora até casa.

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Descemos as escadas rolantes em marcha-atrás.

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Ah, Lisboa, so welcoming. 😛

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E mais uns quilómetros a pedalar depois, chegámos bem a casa. A sensação de regresso a casa é também uma doce parte de viajar. 🙂

Dia X: um pulo à praia

Este post faz parte de uma série: Lisboa-Messines-2013! As fotos estão aqui.
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Depois de na 2ª-feira não termos pedalado (ficámos em casa a descansar, e fomos visitar parte da família – de carro), e de na 3ª-feira termos dado uma voltinha ali perto de casa, na 4ª-feira decidimos ir à praia. A praia fica a mais de 30 Km.

Claro que à boa “nossa moda”, saímos de casa tardíssimo, depois de algum debate interno “vamos ou não vamos” e procrastinação, e por isso quando finalmente chegámos à praia já o sol se punha. Isso não nos impediu de dar um mergulho para assinalar a viagem, claro. Estava boa, a praia, e a água também. 🙂 Não estava quase ninguém ali, e levámos as bicicletas para a areia, prendendo-as aos sinais.

A praia dos Salgados é o meu tipo de praia, uma praia natural, e enquanto não construírem lá mais um resort, será das últimas no Algarve sem betão e asfalto e carros a fazer de transição entre a terra e o mar, em vez de dunas…

A Lagoa dos Salgados é um sítio com valor ecológico, mas pelos vistos não vale tanto quanto um resort com hotéis e golfe. Já construíram um, que faliu, e agora querem construir outro.

Lagoa dos Salgados – Vamos conseguir travar a sua destruição? from Quercus on Vimeo.

A Lagoa, e a praia natural são únicas. Resorts com relva e palmeiras, e hotéis, constroem-se em qualquer lado, e recuá-los 500 metros ou 1000 metros do mar não faz mossa e dá-lhes um caminho bonito para percorrer até à praia. Não percebo as pessoas do meu país, sinceramente. Quando só tivermos resorts, carros, betão e palmeiras por todo o lado, e já não houver nada de natural, o que fará os turistas virem para cá em vez de para os outros milhentos sítios iguais, quiçá até mais baratos?

Por favor, se lá forem, à praia dos Salgados ou à praia Grande, estacionem longe, não levem o carro para cima das dunas, e usem os passadiços em vez de caminhar sobre elas. Obrigada. 😉

Continuando, o sol pôs-se, e nós voltámos para casa, ou seja, mais 30 Km. Fizémos uma paragem na Guia, para testar e fotografar este parque de estacionamento para biclas, pouco funcional (boas intenções sem o know-how = desperdício de dinheiro):

Depois voltámos a parar a uns 10 Km de casa, para visitar os primos. 🙂  Estávamos exaustos. Mesmo. Completamente exaustos. Não percebemos porquê, afinal, 60 Km era o que fazíamos diariamente na viagem para baixo, depois descansámos um dia, pedalámos pouco (31 Km) no dia seguinte, e depois neste dia sentimo-nos inesperadamente supercansados. Mas lá conseguimos arrastar-nos até casa. ;-P

Claro que depois estivémos dois dias seguidos a descansar, não voltámos a sair de bicicleta, foram uns últimos dias de férias muito caseiros, no meio do campo, lá no monte da tia. 🙂

Num dos dias caíu uma boa carga de água, o que nos fez sentir menos mal pelo nosso apego ao sofá nesse dia. 😛

De resto, pouco mais movimento houve que fotografar uns bichos aqui e ali! 🙂

Esta ideia de ir para a praia “todos os dias” parecia gira, mas não tínhamos pedalada para tal. Seriam umas 3-4 horas a pedalar todos os dias (a costa fica a 30 km), como se o touring continuasse. Tentaremos noutra oportunidade, mas não estou convencida de que seja viável, ou interessante, fazê-lo por sistema… Embora tenha a certeza que regressaríamos todos ‘enxutos’, ahah!

Dia VII: Sagres – Messines

Este post faz parte de uma série: Lisboa-Messines-2013! As fotos estão aqui. —————————————————————————————-

É uma vergonha, deixei o relato a meio e só lhe consigo voltar a pegar 6 meses depois. 😛 Mas aqui vai!

DIA VII, 25 de Agosto, domingo
Sagres –> Messines
Cerca de 60 Km de pedaladas

Acordamos no parque de campismo de Sagres, espreitamos pela janela da tenda e vemos com alívio que as bicicletas, sacos e afins ainda estão no mesmo sítio. 🙂 Não deixamos a sorte ao acaso, mas isto às vezes basta ter azar.

Tomamos o pequeno almoço.

Depois arrumamos a trouxa e decidimos almoçar por ali, no restaurante do parque.

Depois de “atestados os depósitos” e partido tirado do wi-fi, fizémo-nos à estrada.

O nosso caminho do dia foi mais ou menos este:

Parte 1: Sagres-Lagos –» comboio para Tunes

Para começar, claro, não podíamos deixar de nos perder ligeiramente a tentar sair do parque e chegar à estrada principal por atalhos. 😛

Mas nada de grave, lá encontrámos o caminho, e optámos por seguir pela Ecovia do Algarve, paralela à N268 que tínhamos feito, em sentido contrário, no dia anterior.

Ao mesmo tempo que avisam que a estrada está em mau estado, apenas “recomendam” uma velocidade máxima de 60 Km/h (em vez dos 90 Km/h de limite que se aplicam ali)…

E a marcação da ecovia também não se livra do complexo de inferioridade ciclista, ali chegada à direita…

Cruzámo-nos apenas com 2 outros ciclistas:

“Proibir não vale a pena, vamos só recomendar”:

A dada altura deixámos a ecovia e entrámos na EN125.

E seguimos pela berma até Lagos.

De vez em quando, nas descidas e quando não vinham carros, acelerávamos pela faixa de rodagem. Mas a berma era aceitável no geral.

Estava bastante calor e de vez em quando parávamos para beber água e também para molharmos as costas um do outro, para arrefecer – sabe mesmo bem. 🙂

Entretanto chegamos a Lagos e vejo isto, uma pessoa numa cadeira de rodas a circular pela estrada, porque não há passeios nem bermas… *sigh*

A estação de comboios de Lagos era nova. Chegámos, encostámos a bicicleta a uma parede (que parecia servir mesmo para isso :-P) e fomos comprar os bilhetes para Tunes.

Enquanto lá estávamos, vi um rapaz entrar com a bicicleta [de BTT]  para a casa-de-banho. Presumo que não tivesse trazido cadeado. 😛

Lá chegou o comboio (Lagos é uma estação terminal) e tratámos de içar as bicicletas para a carruagem respectiva. “Içar” é a palavra mais adequada, dado que a entrada não tem sequer escadas de acesso, como as entradas normais…

Nos comboios regionais da CP é permitido, e gratuito, transportar bicicletas, e estes até têm mesmo um compartimento para carga, com ganchos para bicicletas.

Infelizmente estes ganchos são práticos para bicicletas como as da foto, beater bikes. Nada fixa as bicicletas impedindo-as de oscilarem e baterem uma na outra. E colocar as bicicletas nos ganchos não é prático, ou mesmo viável, para bicicletas mais pesadas e/ou carregadas, como as nossas. Por isso, e mesmo que os ganchos não estivessem ocupados, arrumámos as nossas a um canto, imobilizando-as com abraçadeiras plásticas no travão da frente e com umas Rok Straps.

Partimos então logo com 4 biclas a bordo:

Numa outra estação entrou uma rapariga com uma bicicleta mais citadina, e pendurou-a num outro gancho (que não era bem para biclas, pareceu-nos).

Acabámos por passar a viagem naquele compartimento, que parecia uma prisão. 😛

Como tínhamos a tralha toda nas bicicletas e este compartimento não era visível do compartimento dos passageiros, preferimos ficar ali e pronto. E fomos espreitando pela janela a apreciar a paisagem.

A dada altura as estações passaram a ser do outro lado e tivémos que mudar um pouco as bicicletas para não obstruirmos a porta:

Não estávamos à espera desta, mas na estação de Tunes tivémos que tirar as bicicletas – carregadas – de uma altura muito maior. Já estávamos com medo de nos atrapalharmos a fazê-lo com a altura de Lagos, e de repente, toma lá um desnível de quase 1 m!

Chegamos a Tunes!

Felizmente os elevadores funcionavam. 🙂

Parte 2: Tunes-S.B. Messines

Nesta altura, antes de sairmos de Tunes, eu aviso a minha tia que mais 1 hora devo estar lá. lol Primeiro ainda estivémos ali algum tempo a fazer uns vídeos e tirar uma fotos. Depois, bom, depois metemo-nos por atalhos, andámos meio perdidos no meio da serra, e chegámos lá umas 2 horas mais tarde do que o previsto. 😛

Pensávamos que estava quase, mas enganámo-nos. Claro que não podia haver uma viagem em que não nos perdêssemos de alguma forma. 😛 Armámo-nos em espertos e decidimos usar o Google Maps, seguindo uma rota pedonal, para atalhar caminho:

O resultado foi andar a fazer BTT nocturno, às apalpadelas no meio da serra, por laranjais e afins, com medo que aparecesse algum agricultor de espingarda em punho e cães em pulgas, quase sem bateria nos telemóveis, “longe” da civilização, a um domingo quase à meia-noite, sem comida, sem sequer sabermos dizer onde estávamos para alguém nos vir buscar, se fosse o caso. 😛 Nem tudo era mau, claro, tínhamos as tendas, podíamos pernoitar ali no meio se víssemos que era mais sensato. E tínhamos boas luzes nas bicicletas para iluminar o caminho. Mas o caminho era terra batida com pedras e calhaus. Muito chocalhámos nós por aqueles caminhos. Felizmente sem cairmos uma única vez, lol. Por um lado até foi divertido.

Depois, saídos dali, íamos lançados para apanhar o IC1 num pequeno troço, que nos levaria mais directamente ao destino, mas vimos à entrada que era interdito a bicicleta, e lá fomos nós metermo-nos outra vez por atalhos, mas desta vez asfaltados! 😛

Conseguimos não passar por cima de uma cobra na estrada (aargh) numa descida. E depois de mais uns quilómetros a pedalar, finalmente, chegámos a casa, sãos e salvos, cobertos de terra vermelha. 🙂

Garagem interior, claro. 😛

Et voilá! Cerca de 300 Km em bicicleta, de Lisboa a Messines, em 6 dias – conseguimos, sobrevivemos e até gostámos! 🙂 A repetir!

CONCLUSÕES para a posteridade:

  • Cuidado com os atalhos… O Google não indica a qualidade dos acesso pedonais.
  • Investir num GPS a sério, dedicado, em vez de usar o telemóvel – se a bataria acaba, não temos GPS nem telemóvel!
  • Levar baterias extra para os telemóveis.
  • Levar comida extra caso nos percamos!
  • Tentar não andar tão tarde ainda na estrada, é mais chato quando nos perdemos, está escuro, as pessoas estão em casa a dormir, etc

Dia VI: Aljezur – Sagres

Este post faz parte de uma série: Lisboa-Messines-2013! As fotos estão aqui.
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DIA VI, 24 de Agosto, sábado
Aljezur –> Sagres
Cerca de 55 Km de pedaladas

O nosso caminho do dia foi mais ou menos este:


Ver mapa maior

De manhã, no parque de campismo do Serrão, enquanto arrumávamos as coisas para partir, pusémos os gadgets electrónicos a carregar e esperámos que as toalhas secassem (de noite nada seca por causa do orvalho, quase ficam mais molhadas do que antes de as deixarmos lá).

Aljezur

Arrancámos rumo a Aljezur, que ficava a 3 Km do parque, para almoçar. Havia bastante movimento. Era sábado, dia de mercado, e aproveitámos para ir comprar fruta boa! Depois passámos a ponte e fomos comer melancia e pêssegos para um pequeno parque com muita sombra, e observar as cobras e peixes e afins na ribeira.

Aljezur

Depois disto voltámos um pouco para trás, e fomos comprar umas coisas ao Intermarché depois de um taxista nos dizer que era o único sítio ali tipo supermercado. Distraí-me com as horas, e entretanto já passava das 14h30, e alguns restaurantes já tinham a cozinha fechada. Então voltámos ao “centro”, passámos o mercado municipal e entretanto lá encontrámos um sítio onde almoçar “tarde”. Curiosamente, também havia minimercados ali naquela rua (é o que dá perguntar coisas a taxistas, que andam de carro todo o dia).

Como um lugar livre mesmo em frente, estacionámos as biclas (que não têm apoio de descanso, por isso, mais uma vez, vivam as Rok Straps!).

Aljezur

Aljezur Cycle Chic? 🙂

Aljezur

Um luxo, biclas logo ali ao lado! Estávamos sempre de olho a ver quando é que vinha um tipo lançado contra elas, a pensar estacionar sem reparar que elas estavam lá. 😛

Aljezur

Entretanto chegou um casal espanhol também para almoçar, ainda mais tarde que nós. 😛

Esta rua em Aljezur é parte de uma Estrada Nacional, a N120, e tinha um movimento considerável, nomeadamente de camiões. Lembro-me destacena quando lá passei há 10 anos, de ficar abismada como é que se permitia aquele volume e tipo de tráfego numa rua em que os passeios são meros pequenos pára-choques das casas:

Aljezur

O cruzamento de alguns camiões e afins numa curva antes do mercado municipal era complicado, e os peões não têm espaços decentes. Aquilo não está certo. Lembrava muitas ruas de Lisboa, mas com camiões.

Enquanto almoçávamos vi passar um grupo de 3 ciclistas que também deviam estar a fazer uma viagem como a nossa, em biclas de BTT. 🙂

Entretanto, depois de bem almoçados, lá seguimos rumo a Sagres. Mas quando estávamos a tirar as Rok Straps para soltar as bicicletas estacionadas, surge uma senhora do restaurante onde acabáramos de almoçar e mete conversa. E começa a dizer que aqui há pouco tempo uns amigos tinham feito uma coisa parecida, com os filhos, num atrelado. “Hmm, e esses amigos, como se chamam?”, perguntámos-lhe, olhando um para o outro. “Filipa e João”. “Ah, conhecemo-los, sim!” O mundo é pequeno! Falámos destas pequenas “loucuras” de uns e outros (tão sãs!) , ela desejou-nos muita sorte, e lá seguimos nós.

O primeiro troço, pela N120 até à bifurcação onde continuámos pela direita pela N268 (para a esquerda seguia a N120 para Lagos) foi mais movimentado. Havia algum trânsito automóvel, e também alguns camiões. A estrada era boa mas tinha uma berma pequena (é melhor uma estrada sem berma nenhuma do que uma com uma berma que nós não possamos usar em segurança como via). Não sei se era por ser sábado, pareceu-me haver mais trânsito e mais apressado.

Depois já na N268 apanhámos longos troços de estrada a subir e a descer, sinuosa. Puxou por nós, mas tínhamos almoçado bem! 😛

A paisagem era bonita e o dia lindo reforçava-a. Parámos um pouco para a apreciar e fotografar as vaquinhas que pastavam lá em baixo com um quase ensurdecedor ruído de badalos. 🙂

Sagres

Sagres

Depois da Carrapateira, onde não fomos espreitar a praia, para não chegarmos muito tarde a Sagres, foi onde a estrada começou a melhorar em termos de trânsito, apesar de o pavimento não ser tão bom (mas era perfeitamente adequado, ainda assim). Era bom também pelas árvores que ladeavam a estrada, tornavam-na mais agradável.

Aljezur

Continuámos sempre a pedalar em posição primária e fazendo o “control & release” quando necessário. A posição primária é entre o centro da via de trânsito e a marca do rodado direito dos automóveis, consoante as circunstâncias e a estrada em causa. No curso “Condução de Bicicleta em Cidade” aprende-se a aplicar este e outros conceitos. Do “control & release” falei neste post.

As pessoas têm imenso medo de serem levadas à frente ou mandadas ao chão por um carro, mesmo na cidade, onde isso é mais raro, mas principalmente em estradas nacionais e rurais, onde é o acidente mais comum, dado que há poucos cruzamentos, as estradas são longas, etc. Nós tínhamos noção desse risco acrescido deste tipo de acidente, e por isso mesmo mantivémos a posição primária nas estradas onde a berma não podia ser usada como via de trânsito (algo que só será legal a partir de Janeiro de 2014, mas que já muita gente faz por razões óbvias). Este tipo de acidente acontece porque um condutor ou não vê o ciclista ou avalia mal a sua velocidade ou posição e até o espaço para ultrapassagem. Se um condutor nos vê toma as medidas necessárias para lidar connosco (abranda e/ou ultrapassa). O perigo não é estar “no meio da estrada”, é não sermos vistos (a tempo) e/ou não comunicarmos a mensagem correcta, de forma a permitirmos às outras pessoas reagirem atempadamente e adoptarem os comportamentos adequados.

Por isso é fundamental estarmos onde possamos ser vistos (onde as pessoas já estão a contar encontrar outros veículos) e sermos visíveis (luzes, contraste, movimento).

rural drift

 

Aqui está o Bruno, lá ao fundo, perfeitamente visível logo a grande distância, e a comunicar inequivocamente que não será possível ultrapassá-lo sem usar a via da esquerda, pelo que todos os condutores que o encontram no caminho têm muito tempo para preparar adequadamente a ultrapassagem (abrandar, aguardar uma zona da estrada com visibilidade suficiente, esperar que não haja trânsito em sentido contrário e efectuar a manobra) – e como ele deixou espaço à sua direita, e vai monitorizando a ultrapassagem pelo espelho retrovisor, tem sempre um espaço de reserva que pode usar para se desviar, se necessário, se algum condutor não efectuar da forma mais correcta essa mesma ultrapassagem. Ver, ser visto, comunicar, dar espaço para erros. Na nossa escola ensinamos a aplicar estes conceitos e valem tanto na cidade como fora dela, como pudémos avaliar pessoalmente nesta viagem

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A dada altura chegamos ao parque eólico onde 10 anos antes andámos também, e vamos tirar as fotos da praxe, claro! 🙂

Sagres

Sagres  Sagres

Estava lá uma autocaravana (mais uma!), um pai e dois miúdos foram ver as torres também, e ele ofereceu-se, em inglês, para nos tirar uma foto, ainda antes de ter percebido que não éramos estrangeiros (depois tirou a foto à mesma :-P). Queremos contribuir para que isto deixe de ser algo que se associe a estrangeiros, os portugueses também merecem usufruir do seu belíssimo território, em bicicleta, bolas!

Já perto de Sagres seguimos pela berma da N268, a boa velocidade (mas não a par, que a nossa velocidade e a largura da berma não eram compatíveis). A dada altura apercebemo-nos que havia um troço da Ecovia do Algarve ali ao lado, mas não sabíamos como lhe poderíamos aceder nem para onde ia, pelo que era irrelevante – e a berma da N268 estava a prestar bom serviço na altura.

Fomos por uns atalhos de terra e lá alcançámos o parque de campismo de Sagres da Orbitur, ainda “de dia”! 🙂

Sagres

Entretanto pôs-se uma ventania e um frio algo desagradáveis, pelo que sofremos um pouco a montar a tenda. Optámos por jantar no café do parque. Essa experiência, e depois os balneários também, deixou-nos uma sensação de alguma decadência deste parque, o que é uma pena. 🙁

CONCLUSÕES para a posteridade:

  • um relógio de pulso pode ser boa ideia, para não nos distraírmos com as horas (que afectam as opções para almoçar, por exemplo)
  • o parque de campismo de Sagres é para evitar se conseguirmos descobrir uma alternativa melhor (não é mau mas também já não é bom)
  • o parque de campismo de Sagres era ventoso à noite mas agradável durante o dia
  • não questionar a rota definida pelo homem do leme se decidimos não contribuir à partida para definir a mesma 😛
  • não será nada mal pensado investir mais tarde num sistema destes para nós, se encontramos uma solução que não requeira o capacete (que não usamos) como suporte :-/ Permitirá comunicarmos melhor, e mais frequentemente quando não podemos seguir a par, e ainda dá para ouvir música, que foi algo de que senti falta em alguns troços mais monótonos